terça-feira, 31 de maio de 2011

Novas Oportunidades – A Qualificação do "faz de conta"

Muito sem tem falado ultimamente nas Novas Oportunidades (NO). Este é um assunto de que tenho um conhecimento mais prático que teórico.
Diz Passos Coelho que o projecto Novas Oportunidades deveria ser auditado pois da forma como funciona, é um certificado à ignorância.
Na minha opinião, Passos Coelho tem razão quanto à auditoria pois ninguém sabe quanto se gasta e quais os resultados práticos. Aliás, algumas das leis que são produzidas neste país e aplicadas sobre estes 10 milhões de pessoas, deviam ser avaliadas continuamente para que se pudesse apurar se realmente estão a ter o efeito desejado ou não. Estou a lembrar-me, por exemplo, da Lei de Bases do Ensino ou de outras aplicadas na Educação, Saúde, Justiça, etc..
Sobre as NO, falei com algumas pessoas conhecidas que frequentaram cursos desse projecto e a conclusão a que chegámos foi a de que, mais uma vez, Passos Coelho tem razão. Aquilo que essas pessoas lá aprenderam foi coisa nenhuma ou pouco mais que isso. Não sei se será assim por todo o país nem em todos os cursos mas que há uma grande desilusão em relação a esses cursos, há.
Penso que as NO foram concebidas à imagem da licenciatura de Sócrates. Bem, no caso da licenciatura do PM demissionário foi até mais simples: fez um exame de inglês técnico e “voilá. De tal forma que até Mário Lino, que era seu ministro das Obras Públicas, referiu numa palestra que “…eu sou mesmo engenheiro”.
Por exemplo, uma das pessoas referiu-me que alguém da sua família tinha frequentado as NO para ficar com o 9º ano como habilitação literária mas que para o fazer só foi necessário apresentar o seu currículo de vida.
Vejamos então, eu conto a história da minha vida, por escrito, e fico com o 9º ano?
Não quis acreditar pois pensei que isso só existia nos contos de ficção. Mas outros relatos idênticos foram aparecendo.
Depois de pesquisar na Internet, sobre esse assunto, acabei por descobrir uma coisa fantástica. Como se fosse a “jóia da coroa”: no IEFP da Guarda, estava um cartaz apresentando um curso de futebolista mas que dava equivalência ao 9º ano. FAN-TÁS-TI-CO. Surreal. Aqui fica a prova.


Mas então de que serve o esforço diário dos alunos, a estudar, a fazer testes, a fazer trabalhos, a participar em actividades escolares, se depois estão em pé de igualdade com quem fez um currículo de vida para obter o mesmo nível de habilitações? É que os formandos das NO têm a perfeita noção de que é muito mais fácil ficar com o 9º ano ou o 12º através deste projecto.
Será esta situação, JUSTA??? Penso eu que isto é subverter todo o sistema de aprendizagem pois não é o mérito a ser premiado mas sim a ignorância. É a Educação à Sócrates.
Por este andar, qualquer dia as qualificações das pessoas têm a ver com as competências que se executam no dia-a-dia. Por exemplo: sabe apertar os atacadores dos ténis, tem o 7º ano, além disso sabe também lavar os dentes, passa para o 8º ano,…
Não há dúvida: é o facilitismo socialista, a trabalhar somente para a estatística e não para a preparação dos jovens para terem um futuro melhor, num país melhor.
Estas pessoas que frequentaram e frequentam as NO, mais cedo ou mais tarde irão integrar o mercado de trabalho. Aí sim, irão sentir as dificuldades inerentes às facilidades que tiveram na sua formação pois ninguém as orientou convenientemente.
Se formos analisar alguns dos cursos que são ministrados, por exemplo, na área da informática, que é o que conheço melhor, facilmente se verifica que os cursos estão mal estruturados.
Por exemplo, existem módulos com horas em excesso para o tipo de matéria envolvida. Além deste aspecto, existe também a questão dos formandos. Muitos deles possuem níveis de conhecimento muito abaixo do mínimo que é exigido para os cursos que frequentam. Verificam-se bastantes casos onde até o próprio nome têm dificuldade em escrever. Como é que se vai ensinar estas pessoas a trabalhar com o Office? Como é que se vai explicar a essas pessoas o funcionamento do Excel? Ou do PowerPoint? Para agravar ainda mais a situação, muitas destas pessoas faltam às aulas com frequência.
No final da formação, todos têm de ser aprovados para ficarem com o respectivo diploma. Mesmo que não tenham atingido os objectivos. Os formadores são pressionados a tal situação.
Logo, a pretensão de Pedro Passos Coelho em propor uma auditoria ao projecto das NO, tem toda a legitimidade e faz todo o sentido. Os portugueses devem saber:
·         Quanto gasta o Estado, anualmente, com este projecto e com cada formando?
·         Que cursos são ministrados e quais os currículos desses cursos?
·         Se os cursos ministrados estão adequados ao mercado de trabalho de cada região?
·         Quantas pessoas melhoraram a sua situação profissional com as NO?
·         Quantas pessoas obtiveram emprego com as NO?
·         Quais as competências com que essas pessoas ficam?
·         Qual o nível qualitativo que apresentam na resolução de situações?
·         ……..

Quer-me parecer que este projecto das NO foi mais um estratagema criado, pelo governo de Sócrates, com o único propósito de fazer diminuir a taxa de desemprego, já que quem frequenta estes cursos, para as estatísticas governamentais, é considerado como empregado.
Mesmo com estas artimanhas, Sócrates e o seu governo, deixaram que o número chegasse aos 700.000 desempregados.
Para terminar, quero somente referir que os currículos dos cursos podem ser consultados em http://www.catalogo.anq.gov.pt/.

Aqui vos deixo um bom exemplo.

*       Sistema operativo
o    Conceito
o    Unidades de armazenamento
o    Disquete, Disco Rígido e CDROM
*       Fundamentos de um sistema operativo DOS
o    Comandos internos e Externos
o    Execução de comandos
o    Manipulação de ficheiros
o    Ficheiros de sistema e de arranque
o    Configurações múltiplas de sistema
*       Fundamentos de um sistema operativo gráfico
o    Comandos internos e Externos
o    Execução de comandos
o    Manipulação de ficheiros
o    Ficheiros de sistema e de arranque
o    Configurações múltiplas de sistema


Viva Portugal (…sem Sócrates)

João Pando

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