quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fernando “Pouco” Nobre

Foi na passada segunda-feira que Fernando Nobre foi a votos, na categoria de candidato a presidente da Assembleia da República (AR).
Até aqui nada de mais pois ele como cidadão nacional que é, recém-eleito deputado da nação e não tendo qualquer impedimento legal, pode perfeitamente ser candidato.
Tal como Pedro Passos Coelho lhe tinha prometido, aquando do convite endereçado para encabeçar a lista do PSD a Lisboa, Fernando Nobre foi proposto pelo novo Primeiro-Ministro para presidir aos destinos da AR nos próximos quatro anos
Passos Coelho prometeu, Passos Coelho cumpriu. É um homem de palavra.
Mas a eleição esteve muito longe de correr conforme Passos Coelho esperava (…ou talvez não).
Para percebermos um pouco melhor esta história e quem é Fernando Nobre na política, temos que remontar a algum tempo atrás.
Em Junho de 2009, aquando das eleições europeias em que o PSD saiu vitorioso, Fernando Nobre apareceu em Coimbra, num comício do BE, dando o seu apoio inequívoco a Miguel Portas e ao BE. Dizia ele então que “…estava ali a dar a cara para ser coerente consigo próprio, porque as ideias que defende o Bloco de Esquerda, são as ideias que eu tenho defendido, nos meus livros, nos meus editoriais, nas minhas conferências, nos meus protestos, nos meus gritos. É por isso que aceitei dar a cara para o Parlamento Europeu, pelo Bloco de Esquerda.”
Estas foram palavras proferidas em 2009. Bastaram somente quase dois anos para que toda a sua coerência e todos os valores que defendia, se alterassem radicalmente. Talvez algum psicólogo ou até mesmo algum psiquiatra possam dar explicações sobre este caso. Eu não tenho estudos para tal.
Aquando das eleições presidenciais, dizia Fernando Nobre para Francisco Lopes, durante o debate entre os dois candidatos que “…o senhor pertence a um sistema político perverso, caduco, ultrapassado, retórico, que levou o país exactamente ao impasse em que ele está. Foram os partidos políticos dos quais o senhor faz parte, que nos puseram na situação em que nós estamos”.
O que eu entendo ser estranho é o facto de ele agora fazer parte desse sistema político perverso, caduco, ultrapassado e retórico sem qualquer problema. Será que Fernando Nobre pensa que com a sua entrada no parlamento, o sistema político deixou, de um dia para o outro, de ter todas essas características que ele entende que tem?
Que ele tem um ego do tamanho do mundo, já se sabia mas que extravasava essas fronteiras, para mim é novidade. Senão vejamos o seguinte.
Dizia ele numa entrevista conduzida por Mário Crespo, em Março deste ano, que “…não é por acaso que os altos detentores de cargos políticos deste país, me tenham contactado porque querem todos saber o que é que eu vou fazer”. Lá está a questão do ego. Será que ele pensa que o mundo gira à sua volta? Hummmm…
Continuou a entrevista a dizer “…eu tenho tranquilizado a todos. Partidos políticos nem pensar, nunca…eu não aceitarei nenhum cargo partidário nem governativo. Está assente, determinado, não volto atrás”.
Ainda bem que há pessoas de palavra neste país.
Ora, depois desta pequena e esclarecedora resenha, eu começo a chegar à simples conclusão de que Passos Coelho teve uma jogada de génio. Mas que jogada!
Vejamos então a minha leitura de toda esta engrenagem:
·         Fernando Nobre teve cerca de 14% dos votos, nas presidenciais. Isso representa mais de 600 mil pessoas. Para a realidade portuguesa, em que somos 10 milhões de habitantes e com abstenções elevadas nas votações, tem um peso muito elevado, numa eleição.
·         Ser Primeiro-Ministro e “deixar andar à solta” uma pessoa que vale 600 mil votos, pode ser complicado para o governo pois pode-se tornar numa força opositora. Logo, há que ter esta pessoa sob controlo.
·         Assim, quando Passos Coelho convidou Fernando Nobre sabia de antemão, com toda a certeza, duas coisas: que Fernando Nobre aceitaria um cargo de prestígio (a suposta questão da cidadania), devido ao seu enorme ego e que não fosse governativo, pois Nobre não gosta de ser criticado e Passos Coelho sabia também que ele nunca seria eleito Presidente da Assembleia da República, pois não reunia consensos, nem dentro do próprio partido. Passos Coelho sabia também que a esquerda não votaria em Nobre, tal como o PS e o CDS/PP. Logo, se Fernando Nobre não fosse eleito Presidente da AR, ficaria no parlamento, como deputado.
·         Onde é que Fernando Nobre faria menos “estragos”? Precisamente no parlamento como deputado, que é a situação em que ele se encontra, presentemente. É que assim, tanto o governo como o PSD podem controlá-lo de uma forma bem mais consistente. E com a coerência que o caracteriza, pode muito bem, de um dia para o outro, começar a ser um problema descontrolado.
·         Além disso, dado a sua ligação à bancada do PSD, como independente, depois de andar a dizer que “…partidos, nem pensar…” e pelo facto de não ter sido eleito presidente, nas duas vezes que foi a votos, enfraqueceu muito o peso que tinha na sociedade civil assim como a sua posição no parlamento.
Penso que neste momento, Fernando Nobre representará mais um empecilho que uma mais-valia para a bancada do PSD, uma vez que não eram estas funções que ele queria. Mas no parlamento como deputado, o seu âmbito de actuação está controlado, se bem que a sua força tenha diminuído bastante. Já não representará qualquer perigo.
Fernando Nobre cometeu vários erros de “palmatória” que supostamente qualquer pessoa minimamente inteligente, não o faria.
·         Disse, depois das presidenciais, que nunca aceitaria pertencer a partidos políticos. Bastou um mês para que esse argumento caísse por terra.
·         Disse que era candidato a Presidente da Assembleia da República e que se não ganhasse, não aceitaria ser deputado. Foi criticado por todos. Podemos retirar daqui variadíssimas interpretações com um denominador comum: todas elas têm forte carga negativa para Fernando Nobre.
·         Depois veio emendar a situação dizendo que provavelmente aceitaria ser deputado. O mal já estava feito.
·         Não teve nem a capacidade nem a perspicácia necessária a alguém que quer ser político. De salientar que a sua primeira candidatura não seria aprovada (106 votos, necessitava de 116). Penso que mesmo antes da primeira eleição, deveria ter apresentado a Passos Coelho a intenção de não ser candidato. A sua própria imagem não ficaria certamente tão manchada e estou convencido que Passos Coelho aceitaria de imediato.
·         Sujeitou-se a uma segunda votação, apesar de ter perdido a primeira. Aí o arraso foi completo. É que ainda teve menos um voto (105) que na primeira vez.
Eu fico a pensar se por ventura, este senhor Fernando Nobre tem ganho as presidenciais? O que seria de Portugal?
Agora, devemos pensar em termos de futuro. Tenho curiosidade em saber como será a sua permanência no parlamento já que ele afirma que tenciona exercer as funções de deputado "enquanto entender que poderei ser útil ao país", seja lá o que isto for. Isso quererá dizer que irá votar favoravelmente tudo o que o PSD e governo submeterem à AR? Irá votar consoante a sua vontade? Alegará problemas de saúde para se retirar? Demitir-se-á? Como irá fazer?
Constataremos isso com o passar do tempo.
De qualquer forma, penso que Fernando Nobre foi vítima do seu próprio ego, da sua arrogância, da sua incoerência, da sua ambição desmedida.

Viva Portugal

João Pando

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Governo dos “Inexperientes”

Todos nós ficámos a saber, na passada sexta-feira, qual será a composição do novo governo de coligação PSD-CDS/PP, que entrou hoje em funções.
Penso que depois de um período eleitoral muito exigente, onde os líderes dos principais partidos políticos (com assento parlamentar), esgrimiram de forma vigorosa as suas propostas e convicções e depois de um resultado inequívoco que resultou do acto eleitoral de 5 de Junho, muitos dos portugueses estariam na expectativa de saber:
·         Em primeiro lugar, quais os ministros que seriam propostos para este novo governo de coligação, pois não só se falava em alguns nomes como havia ainda a questão de que personalidades independentes o pudessem vir a integrar.
·         Em segundo lugar, quantos ministros teria o CDS/PP neste governo de coligação e quais as pastas que ocuparia, sabendo de antemão que a agricultura era uma forte possibilidade, pela sua constante abordagem ao tema na Assembleia da República (AR).
·         Em terceiro lugar, quais os ministérios deste novo governo, uma vez que passaríamos de dezasseis ministérios no governo demissionário para onze ministérios do próximo governo.
Ora, muito se especulou à volta destas questões. Muitos nomes foram falados, muitas linhas de jornal escritas, algumas horas de televisão gastas e… muita ansiedade.
Foi publicado, antes mesmo de se saber a composição do novo governo, qual o papel que Miguel Relvas iria desempenhar futuramente e também o de Paulo Portas. Na minha opinião, foram pastas muito bem entregues a pessoas com alguma experiência governativa. Estou certo de que farão um óptimo trabalho, no interesse da nação.
Este episódio das críticas prévias trouxe-me à memória a contestação que houve em relação a Pedro Santana Lopes, mesmo antes de ser Primeiro-Ministro, em 2004. Ninguém sabia como seria ele como Primeiro-Ministro mas era contestado por todos, inclusive dentro do próprio partido.
Bom, mas quando finalmente ficámos a saber, de forma oficial, qual a composição do governo que vai conduzir os destinos do país, pelo menos, durante os próximos quatro anos, começaram a surgir opiniões vindas de todos os sectores de actividade e quadrantes políticos.
Ouvi muitas opiniões sobre os novos governantes. Umas foram bastante positivas e outras nem por isso mas deixem-me dizer-vos que algumas (muito poucas) foram bem tristes, pois vieram de pessoas que tiveram a oportunidade de provar o que valem e que nada fizeram ou fizeram mal. Mas a esses, o tempo há-de encarregar-se de os condenar, já que a Justiça não o consegue.
Bem, a maior parte das opiniões, quer de políticos quer de comentadores, é a de que os novos governantes não têm experiência governativa. Já Sócrates referiu esse aspecto na campanha eleitoral, a falta de experiência governativa de Pedro Passos Coelho. Francisco Assis referiu esse aspecto na RTP. Como se fosse essa condição “sine qua non” para se ter sucesso no que quer que seja.
Na minha opinião, este é até um argumento pouco inteligente (para não dizer completamente estúpido). E então vindo destas duas personalidades…Sócrates e os seus ministros, tiveram a capacidade de nos demonstrar como pessoas com experiência governativa conseguem levar um país quase à bancarrota. Decididamente não é disto que necessitamos.
Coitado de quem não possui a experiência necessária para desempenhar as suas funções. Nunca conseguirá ser um bom profissional.
Estão, no entanto, a esquecer-se somente de um pequeno pormenor: o Homem tem a extraordinária capacidade de aprender coisas, caso não tenham ainda reparado. Esse é só um dos pressupostos da nossa evolução. Coisa pouca.
Voltando às opiniões que correram por aí, vejamos por exemplo o caso de João Semedo do Bloco de Esquerda. Diz ele que “O doutor Paulo Portas, o doutor Pedro Passos Coelho tinham prometido um Governo com os melhores da sociedade. Hoje o que nós vemos é um Governo com um peso excessivo dos aparelhos partidários, com os aparelhos do PSD e do CDS”. Esta, considero ser mais uma das afirmações muito pouco inteligentes.
Ora vejamos, meu caro João Semedo:
1.     Neste governo, o partido vencedor das eleições não tem maioria absoluta, uma vez que CDS/PP e Independentes totalizam sete (7) ministros. Foi opção do novo Primeiro-Ministro de Portugal. É preciso muita coragem para tal.
2.    Estas eleições foram ganhas por partidos políticos e não por independentes. Tal como na campanha eleitoral, Pedro Passos Coelho sempre afirmou que o governo seria aberto a outros partidos e à sociedade civil. Como homem de palavra que é, assim o fez.
3.    O governo tem quatro (4) ministros independentes, o que significa que num total de onze, a percentagem situa-se nos 36,4%. É só fazer as contas, como diria o outro senhor. Ou seja, mais de um terço dos ministros são independentes.
4.    O governo tem quatro (4) ministros do PSD, curiosamente tantos quantos os independentes, ou seja, 36,4% dos ministros.
5.     O governo tem três (3) ministros do CDS/PP o que equivale a 27, 2% dos ministros.
6.    O peso dos partidos políticos no governo é de 63,6%, ou seja, nem sequer chega a dois terços. Mas que diabo! Foram os partidos que ganharam as eleições.
7.    Além do que já foi referido, está a colocar em causa a competência de cada um dos ministros, mesmo sem conhecer o seu trabalho, quando afirma que “…Pedro Passos Coelho tinham prometido um Governo com os melhores da sociedade”. Isto não é senão maledicência. Parece-me que é precisamente o melhor que o BE consegue.
8.    Será que num governo do Bloco de Esquerda, os ministros seriam todos independentes? Pela afirmação que efectuou, depreendo que sim.
Penso que se deve preocupar mais com a liderança do seu partido, a qual saiu deste processo eleitoral muito fragilizada pois perdeu metade dos deputados e não tanto com estas questões.
Ah, sim…e quando efectuar alguma crítica a quem quer que seja, estude bem a matéria antes de o fazer, para não cair no ridículo de criticar sem fundamento.
Depois vem um dos paladinos da “defesa dos trabalhadores, contra o grande capital e a política do quero, posso e mando…” Bernardino Soares, dizer o seguinte: “O perfil e a estrutura que nos é apresentada, em relação aos ministros e aos ministérios, confirma um Governo com a intenção de prosseguir esta política que tem vindo a anunciar, profundamente lesiva dos interesses nacionais, de cedência às imposições do FMI e da União Europeia e de continuação do agravamento das desigualdades sociais, da recessão e do desemprego.”
Vejamos então:
1.    Ainda não foi apresentado o programa de governo e já Bernardino Soares está a dizer que a intenção é continuar com a política anunciada, profundamente lesiva dos interesses nacionais, etc., etc. Sei que ele é deputado da nação mas não fazia a mínima ideia de que o Cassete Bernardino era VIDENTE. Do PCP, já sabemos que a conversa que sai é sempre igual. Tal como o seu programa proposto às eleições de 2009 e 2011. Eu confirmei isso. É que para os comunistas e “verdes”, a situação de 2009 é exactamente igual à que vivemos hoje.
2.    Não faço a mínima ideia do que é uma política “…profundamente lesiva dos interesses nacionais”. Como esta frase tem um conteúdo informativo igual a zero, pode ser que entretanto os comunistas nos informem do que se trata. É mais um chavão dos comunistas. A não ser que ele se esteja a referir às duas únicas vezes em que os comunistas governaram este país, com o então Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves e que andou para entregar todo o nosso ouro aos países nossos fornecedores. Se não se refere a isso, então não há aqui nada de novo.
3.    Ele refere também “…e de continuação do agravamento das desigualdades sociais, da recessão e do desemprego.”. Bom, como deputado da AR, está devidamente informado acerca da situação do país e das perspectivas futuras. Ele sabe perfeitamente que a situação ainda se agravará nestes próximos dois anos. Não é novidade para ninguém. Mas se por acaso ele é possuidor do toque de Midas, então que desagrave as desigualdades sociais, nos tire da recessão e do desemprego excessivo, o quanto antes. Os portugueses agradecem.
4.    Se tem algo a reclamar, que o faça com o governo cessante, não com este. E já agora, um conselho: tenha calma e não avalie os ministros antes sequer de terem iniciado funções. Isso não abona a favor da democracia.
5.    Não havendo cedência às imposições do FMI, como os comunistas e bloquistas pretendiam, onde iriam eles encontrar dinheiro para cobrir a dívida de Portugal? A solução estaria em renegociar a dívida? Qual seria o crédito que Portugal passaria a ter na comunidade internacional, sabendo os mercados que não conseguimos pagar as nossas dívidas?
É que…é muito fácil falar quando sabemos de antemão que não seremos governo.
Depois vem Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, dizer: “Do ponto de vista global, a constituição do novo Governo dá indicadores de que estão a preparar um forte aperto de cinto ao povo português”.
Mas onde é que este indivíduo viveu nos últimos anos? Saberá ele que Portugal está em situação de pré-bancarrota e que o governo cessante assinou um documento com a troika, na tentativa de salvar este país da falência?
Heloísa Apolónia, d’Os Verdes afirma que há: “Excesso de pessoas ligadas às finanças nalgumas áreas que são fundamentais para garantia dos direitos dos cidadãos e para a promoção do desenvolvimento do país”.
Não entendo. Uns dizem que há demasiados advogados, outros dizem que há excesso de pessoas ligadas à área financeira. Entendam-se, pá!
Fernando Medina, porta-voz do PS e um dos “boys” de Sócrates diz que “Nota-se a ausência do Ministério da Cultura, que é negativa”.
Pergunto eu, será que a existência de um Ministério da Cultura é fundamental para a recuperação económica de Portugal? Será que não chega uma Secretaria de Estado? Será que se justifica a existência de um Ministério para a Cultura?
Penso que há, nesta afirmação, uma total ausência de bom senso. É a crítica barata de quem acabou de perder o tacho, que se mantinha há seis anos.
Finalmente, de entre muitos outros, vem António José Seguro afirmar que fará “oposição a todas as políticas e medidas que este Governo colocar na Assembleia da República com vista a desmantelar o Estado social”.
Há tipos que não têm vergonha. É estranho que essa sua preocupação com o desmantelamento do Estado Social só agora tenha tomado lugar. É que quando o seu ex-líder de partido e ex-Primeiro-Ministro, andou a atacar o Estado Social, contribuindo decisivamente para a sua destruição progressiva, não vi este senhor a fazer-lhe frente uma única vez, aliás, não vi este senhor a fazer o que quer que fosse em defesa do que quer que seja. Manteve-se sempre muito calado. É a posição mais confortável.
Confesso que a opinião que tenho hoje sobre António José Seguro, não abona muito a seu favor. Penso que se tem pautado por uma passividade excessiva.  Foi totalmente passivo enquanto o país necessitou de muita acção.
De qualquer forma, penso que é necessário deixar o governo exercer as suas funções antes de começarem com as críticas. Os que lá estiveram antes, não conseguiram. Deixem agora que estes tentem.
Se houver alguma crítica a efectuar, que seja por decisões tomadas no exercício das funções e não porque “este não tem experiência”, “aquele é advogado”, “o outro é financeiro”.
Deixem-nos trabalhar, pois muito há a fazer.

“A caminhada das mil léguas começa com um passo”, provérbio chinês.


Viva Portugal

João Pando

 

domingo, 12 de junho de 2011

Sócrates, “o Sábio”

Consta que José Sócrates, esse brilhante estadista português, vai estudar para França, frequentar um curso de filosofia.
Curiosamente na semana em que se sabe desta nova aventura de Sócrates, ficou-se a saber também que existem alunos em Portugal que estão a deixar de estudar por questões financeiras. Alunos dos 2º e 3º ciclos que por motivos de desemprego dos pais ou por outras dificuldades financeiras não podem continuar a sua formação de base para poderem almejar uma vida melhor, no futuro, quer para si quer para as suas famílias. Consequentemente, a sua maior formação, conduzirá a um aumento da qualidade do trabalho prestado pela mão-de-obra portuguesa, o que afectará positivamente, com toda a certeza, o Produto Interno Bruto nacional.
Ora a falta de capacidade financeira dos pais destes alunos (…e não só), resulta das políticas aplicadas ao longo dos últimos anos, pelos sucessivos governos socialistas. Foram muitos anos de políticas erradas.
Aliás, se analisarmos a situação portuguesa desde a Revolução dos Cravos, verificamos que sempre que houve governos socialistas, Portugal aprofundou as suas crises, de onde foi sempre difícil sair. Veja-se os casos de Mário Soares, de Guterres ou mais recentemente e totalmente devastador, Sócrates.
Apesar de Portugal ser um país tendencialmente de esquerda (vá-se lá a saber porquê), os portugueses reconhecem, na suposta direita (para os comunistas e bloquistas, o PSD é de direita, tal como o CDS/PP, vá-se lá a saber porquê, também), uma extraordinária capacidade de recuperar todos os indicadores nacionais, sejam eles económicos, financeiros, sociais, de justiça, de saúde, de segurança, etc, e devolver aos cidadãos, a qualidade de vida que eles merecem ter pois todos os dias se esforçam para que isso aconteça.
Mas voltando à questão inicial destas minhas palavras, não deixa de ser irónico o facto de que enquanto há alunos que desistem de estudar por falta de dinheiro para o fazer, outros há que depois de terem levado este país magnífico à situação de pré-bancarrota, tirando a possibilidade a muitas famílias de pagar os estudos dos filhos, possam ir estudar para uma das cidades mais caras da Europa: Paris.
Bom, talvez ele agora consiga finalmente ter um curso em que seja mesmo necessário estudar.
Mas…de onde terá vindo esse dinheiro que lhe vai suportar a vida em Paris?
Porque não chegaram ao fim, todos os processos onde Sócrates estava referenciado para se concluir se houve ou não desvio de fundos públicos?
Qual o envolvimento de Noronha do Nascimento, que deveria zelar pela Justiça e não por interesses pessoais?
Qual o envolvimento da Procuradoria-geral da República nestes casos?
Sócrates vai-se embora, libertando-se de um peso enorme que o próprio criou. No entanto, é minha convicção que ele voltará daqui por 5 ou 10 anos para se candidatar à Presidência da República. Se eu ainda cá estiver nessa altura, hei-de esforçar-me por relembrar os que têm memória curta sobre quem foi esse senhor e o que fez por todos nós.
Agora esperam-nos tempos muito difíceis. Tal como em vezes anteriores, sempre que os socialistas nos levaram a crises profundas, lá vieram os social-democratas para repor a situação. O que acontece é que quando o PSD já tem o país recuperado e as instituições a funcionar normalmente, algo de estranho se passa nas cabeças dos portugueses pois voltam novamente a querer viver em crise. Espero que desta vez seja diferente.

Tem sido sempre essa a sina do PSD.
Vai continuar a ser essa a sina do PSD?

Viva Portugal

João Pando

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Adio, Adieu, Auf Wiedersehen, Good bye ou O Dia da Libertação

O PSD GANHOU. O PS PERDEU.
Ganhou a “INEXPERIÊNCIA”. Perdeu a EXPERIÊNCIA
Ganhou a JUVENTUDE. Perdeu a MATURIDADE
Ganhou a VERDADE. Perdeu a MENTIRA
Ganhou a HONESTIDADE. Perdeu a TRAPAÇA
Ganhou a HUMILDADE. Perdeu a ARROGÂNCIA
Ganhou a REALIDADE. Perdeu a FANTASIA
Ganhou o RIGOR. Perdeu o DESLEIXO
Ganhou a TRANSPARÊNCIA. Perdeu a OCULTAÇÃO
Ganhou a ESPERANÇA. Perdeu o CONFORMISMO
Ganhou a LIBERDADE. Perdeu a DITADURA

Com a vitória nestas eleições legislativas, o PSD ganhou também, por inerência, uma herança muito pesada, deixada pelos sucessivos erros do governo de José Sócrates, com o inequívoco apoio do PS. Quero eu com isto dizer que não há só um culpado mas sim muitos pois a bancada socialista da Assembleia da República (AR), suportou sempre e de forma incondicional, as decisões de Sócrates. E ainda há todos os que neles votaram e lhes deram legitimidade para governar.
De qualquer forma, voltámos a recuperar em Portugal, a partir de hoje, uma coisa que já se tinha perdido há algum tempo: ESPERANÇA. Passos Coelho, além de nos libertar do peso que representa Sócrates, teve a capacidade de nos devolver a fórmula para que possamos acreditar novamente em Portugal.

Obrigado, Pedro Passos Coelho.

Relativamente a Sócrates, espero sinceramente que vá para bem longe.
Ouvi-o a dirigir-se ao país numa forma como ele nunca o tinha feito antes. Durante os últimos seis anos, falou sempre aos portugueses com a sua habitual arrogância. Hoje parecia um cordeirinho. Tão patriota, tão dedicado à causa pública… Enfim, mais uma das suas intermináveis encenações. Agora, só é enganado quem é parvo.
Confesso que tive alguma satisfação em ver o pesado semblante daqueles que com a sapiência do senso comum, nos foram enganando ao longo destes últimos seis anos, pintando um país cheio de cor mas que afinal não passava de uma tela monocromática.
Estava eu aqui a recordar a célebre frase do ex-ministro Augusto Santos Silva “…quem se mete com o PS, leva!” e a pensar quem seria o desgraçado do PSD que estaria agora a sacrificar-se por toda a família laranja.
Não há dúvida que Sócrates, com esta derrota, tira um enorme peso dos ombros. Deve ter ficado fulo por ter perdido mas ficou também muito aliviado. Curioso, isto no PS é já uma prática corrente: tomam más decisões e depois fogem às responsabilidades. Basta recordar, por exemplo, o triste episódio da queda da Ponte de Entre-os-Rios e da consequente demissão daquele homem honrado, de sua graça Jorge Coelho, hoje elevado à categoria de Administrador Executivo.
Mas voltando ao Sócrates, notou-se efectivamente esse alívio precisamente pelo facto de ter passado toda a sua intervenção a sorrir, apesar de ter ficado visivelmente incomodado com uma pergunta de uma jornalista, sobre os processos jurídicos que o envolvem directamente, como por exemplo o processo Face Oculta.



Como Sócrates conseguiu baixar muito o nível do PS, quando a referida pergunta incomodativa lhe foi apresentada, veio ao de cimo a intolerância socialista dos presentes na sala que logo se prontificaram a vaiar a jornalista, de resto ao bom estilo socrático. Até aqui nada de novo.
A grande novidade vem precisamente da parte de Sócrates.
Não deixa de ser irónico. Depois de em Março ter sido reeleito Secretário-Geral do seu partido, com uma esmagadora maioria dos votos (93,3%), deixa de ser agora, num momento e passados dois meses e pouco, o líder do seu partido por demissão própria. No futebol diz-se: “futebol é isto mesmo”. Na política, a conversa é igual: “política é isto mesmo”.
Quando um indivíduo quer fazer com que as suas ideias cheguem a muita gente, sujeita-se a que haja algumas pessoas nessa gente que tem outra maneira de ver as mesmas coisas. Mas esse é um risco que qualquer pessoa corre, quando vive em sociedade.
Para terminar, quando Sócrates referiu que deixaria de ser Secretário-Geral, houve uns boys que manifestaram o seu desagrado. Compreende-se porquê. O “tacho” acabou.
Constatei também a atitude cabisbaixa dos ex-ministros como quem diz “…o nosso grande líder demitiu-se…o que será de nós agora?...”, como aquelas criancinhas que estão a brincar e de repente perdem o “dono da brincadeira” porque foi para casa. 

Afinal a profecia de Manuela Ferreira Leite realizou-se: Sócrates, nem na oposição.
Infelizmente para os portugueses, esta situação vem com dois anos de atraso.


Viva Portugal (…mas já sem Sócrates)

João Pando