terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cavaco Silva "Malha" na Esquerda

Cavaco Silva venceu mais um acto eleitoral a que se sujeitou. Já se esperava isso, a julgar pelas sondagens publicadas ao longo das pré-campanha e campanha eleitorais. Ora, porque será que Cavaco Silva apareceu sempre bem à frente dos adversários, nas sondagens? Bom, certamente houve um motivo decisivo para tal acontecer. As pessoas julgaram a sua actuação como Presidente de Portugal, ao longo dos últimos cinco anos e na sua grande maioria, ficaram satisfeitas. Mas não julgaram somente esse aspecto. Na minha opinião, esta reeleição deve-se também ao julgamento que as pessoas fizeram acerca da sua credibilidade tanto no país como além fronteiras, no conhecimento que ele tem dos assuntos do Estado, na postura do candidato que contra tudo e contra todos, soube estar sempre ao nível do que se espera que seja um Presidente da República. O mesmo não se pode dizer da maior parte dos restantes candidatos. Uns entenderam que a calúnia e a intromissão na vida pessoal do único adversário (Cavaco Silva) seria uma boa estratégia, outros pensaram que reviver o passado seria um bom caminho para o atacar. Pois todos eles se enganaram. E as pessoas julgaram-nos. E fizeram-no de uma forma eficaz. Cavaco Silva, apoiado pelo PSD, CDS/PP e MEP, derrotou de uma assentada, toda a esquerda que existe em Portugal, dos mais moderados aos mais radicais, em cada distrito do território nacional e alguns com diferenças que só são possíveis nos filmes de ficção (ex. Vizeu).
Apesar de serem eleições presidenciais, não posso deixar de pensar nos partidos que apoiaram as candidaturas derrotadas e da forma como sairão afectados deste acto eleitoral.


Todos perderam mas…todos ganharam!

Como já vem sendo habitual em actos eleitorais, todos são vencedores. Ainda está para acontecer em Portugal, um acto eleitoral onde haja pelo menos um derrotado.
Perdeu Manuel Alegre porque não percebeu que o seu tempo como político já tinha chagado ao fim, bem antes desta eleição. Penso que agora não lhe restam dúvidas.
Perdeu Fernando Nobre porque pensava que estava em algum palco de guerra com a AMI, impondo a sua prepotência e arrogância aos seus colaboradores e não percebeu que o que tem para dar como político, as pessoas não querem. Penso eu que com a euforia do presente arrisca-se a correr os mesmos riscos que Manuel Alegre. Pensando ter um grande apoio hoje (cerca de 600 mil votos), recandidata-se daqui a cinco anos para perder novamente mas com menos votos e cair no esquecimento.
Perdeu Francisco Lopes porque os portugueses não querem o comunismo novamente em Portugal, como tem sido demonstrado ao longo destes anos de democracia.
Perdeu José Manuel Coelho porque a sua candidatura, na minha perspectiva, carecia de substância, de postura, de sentido de Estado e de universalidade dentro das fronteiras deste país.
Perdeu Defensor Moura porque entrou na pré-campanha destas eleições repleto de ódio, raiva e rancor contra Cavaco Silva mas o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Os portugueses não lhe perdoaram a postura sempre crispada em relação ao seu único adversário, Cavaco Silva. Além disso não tem qualquer sentido de Estado. Aliás, pela atitude que o candidato demonstrou ao longo da pré-campanha e campanha eleitoral e pela falta de sentido democrático depois de ter perdido as eleições e não ter felicitado o candidato vitorioso, admira-me bastante o facto de ter sido presidente de uma câmara municipal.
Perdeu o PS (novamente) porque apesar de serem eleições presidenciais, foi uma forma de penalizar o governo e quem lhe está ligado. Assim, penso que Sócrates não terá outra alternativa senão mexer no governo para que, com mais este golpe de cintura, se consiga aguentar mais uns meses, antes de tombar no precipício.
Perdeu o BE porque em lugar de apresentar um candidato saído das suas hostes, foram apoiar um candidato “do partido do governo” e como tal, também apoiado pelo partido do governo, que Louça tanto odeia e critica. Fica-se, afinal, sem saber se as zangas BE - Governo são reais ou simplesmente meras encenações direccionadas para as televisões. Em política, por vezes a aposta no “cavalo errado” trás custos muito elevados.

Perdeu o Governo porque com o “choque tecnológico” lançou um cartão designado por Cartão do Cidadão que tem trazido mais dissabores que alegrias, a quem os detém. A confusão generalizada que se verificou nestas eleições, já se tinha verificado em 2009 mas numa escala menor. É que hoje há mais cidadãos com este cartão. Desde essa altura até hoje, nada mudou. A confusão foi de tal forma grande que a Comissão Nacional de Eleições não consegue quantificar a moldura humana envolvida nessa matéria. Mais ainda. Segundo o governo, o número de eleitor não está retido no chip do cartão, o que lança mais confusão ainda. Pergunto: não seria melhor pensar-se num outro cartão que tivesse todos esses números, assim como a filiação de cada cidadão, para substituir este que só dá chatice e paralelamente pensar-se nuns leitores para ler esses novos cartões? Eu cá continuo com o meu velho BI que nunca me deixou ficar mal.
Onde o governo socialista mete a mão…



A Reconquista
Ganharam PSD, CDS/PP e MEP por terem tido visão estratégica e sentido de Estado, como sempre e não terem dúvidas de quem representará melhor Portugal em qualquer acto público, seja no interior seja no exterior e quem dará mais confiança aos mercados externos. Aliás, basta recordarmos a atenção e a preocupação com que os chineses seguiram estas eleições.


Notas Finais

Antes de terminar, quero referir duas notas que me merecem alguma atenção.
A primeira tem a ver com um comentário de Miguel Sousa Tavares, hoje na SIC em que ele afirmava que nestas eleições tudo tinha corrido normalmente. Não havia portanto nada a registar quanto a ataques pessoais e que havia sim, questões que deveriam ser respondidas. Bom, não me parece bem que jornalistas-comentadores falem sobre assuntos que desconhecem. Digo isto porque ele talvez não tenha acompanhado a campanha de Defensor Moura nem de Manuel Alegre. Se ele entende que esta campanha foi normal então pensará certamente que o comportamento das personagens referidas foi adequado a um futuro presidente. Eu assim não entendo.


A segunda nota é para aquele a quem chamo de “o intrometido” que, sabe-se lá porque carga de água, sendo socialista há já uns anos (parece que antes era do PSD) se prestou de imediato a dar o seu apoio a Cavaco Silva, aquando da sua vinda a Torres Novas, ao CRIT. Não sei se o fez por um desejo frenético de aparecer na televisão, se por outro motivo qualquer. Talvez tenha sido por se dizer que jogou nos laranjas, antes de jogar nos rosas. Será que quer voltar?
A vida é isto mesmo: umas vezes estamos aqui e outras estamos ali.

VIVA PORTUGAL

João Pando
 

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Minha Mensagem de Ano Novo

Nos últimos 15 anos da história deste país a quem chamamos de Portugal, fomos 13 anos governados por socialistas. Primeiro, com início em 1995, pelo Eng. Guterres (…não, não, este é mesmo engenheiro!), que esbanjou enquanto houve mas quando “a vaca deixou de dar leite”, foi “mamar” para outro lado. Depois em 2005, o Eng. Sócrates (…pois, este é que é o tal da licenciatura no dia santo…) que tão bem nos tem governado até hoje. Mesmo os mais desatentos conseguem ver em que medida o socialismo e principalmente o actual governo têm sido bons para os portugueses, até porque o sentimos na pele, diariamente.

Posto isto, quero referir que a minha mensagem de Ano Novo é de agradecimento.

Como tal, quero agradecer publicamente a todos os militantes do PS, a todas as pessoas que votaram no Sócrates, nas últimas legislativas e a todos os que o têm apoiado, o facto de o meu salário sofrer um valente corte neste ano de 2011, assim como a minha família e a maior parte das famílias deste país terem ficado mais pobres e termos de fazer ainda mais sacrifícios para manter os filhos a estudar na universidade, não podermos passear como fazem as famílias normais, não podermos comprar toda a comida que desejamos, quer em quantidade quer em qualidade, não podermos comprar livros para engrandecermos o espírito, não poder trocar de sofás, de ter de reduzir bastante os jantares com os amigos, não poder trocar de carro como os senhores políticos fazem frequentemente, pois o meu já tem 10 anos e segundo a nossa classe política, os carros com 10 anos já dão muitos problemas, quero agradecer também o facto de ir pagar mais pela energia eléctrica quando andámos a encher o país de energias alternativas, pela taxa de radiodifusão, pelas taxas moderadoras, pelas portagens nas SCUT e respectivas trapalhadas nos sistemas de pagamento, pelas incompetentes políticas de educação e saúde que nos fecharam escolas, maternidades, urgências, SAP’s e centros de saúde, pelas dezenas de ambulâncias novas que estiveram estacionadas mais de um ano quando deveriam estar ao serviço das pessoas, pelos nascimentos em ambulâncias sem as condições mínimas de garantia de um parto seguro, pela lista de espera das cirurgias e pela demora na sua programação, pelo recorde do número de desempregados, pela diminuição das prestações sociais, penalizando os mais desfavorecidos, pelo desperdício de dinheiros públicos em estudos e auditorias que não dão em nada, por termos sido o país com o maior aumento da carga fiscal em toda a Europa, pelos preços exorbitantes dos combustíveis, penalizando o desenvolvimento económico, pela elevada corrupção instalada nos organismos do Estado, pelos preços elevadíssimos dos livros escolares quando o governo diz que o investimento na Educação é fundamental, pela quase destruição do orgulho de ser português, baixando a motivação e “obrigando” muita da nossa mão-de-obra qualificada a deslocar-se para outros países, pelo aumento do fosso entre ricos e pobres, pelos casos de justiça que envolvem o primeiro-ministro e que nunca foram convenientemente investigados até ao fim, descredibilizando a Justiça, pelo pior dos ministros das Finanças da EU, pelas mentiras sucessivas e pelo sorriso de satisfação do nosso PM, etc..

Enfim, a lista é interminável.

Por todas as dificuldades que sofremos até agora e pelas bastante acrescidas que iremos sofrer nos próximos anos, a todos esses socialistas amigos do “povo”, um sincero MUITO OBRIGADO.

Quanto aos restantes que não votaram nos socialistas nem os apoiam, não gostam deste governo mas que também não participam na vida política de forma mais activa, pelas mais variadas razões, penso que têm poucas escolhas:

  • Ou começam a interessar-se por esses assuntos, uma vez que é a política que lhes dá ou tira tudo (p.e. através do Orçamento de Estado) e começam a fazer parte do processo, participando de forma mais activa, a lutar pelos seus direitos e por aquilo em que acreditam;

  • Ou estarão sempre sujeitos à vontade dos outros e aí, na minha perspectiva, perderão alguma da legitimidade para reivindicar o que quer que seja.

Desejo um Bom Ano de 2011 a todos.


João Pando