Cavaco Silva venceu mais um acto eleitoral a que se sujeitou. Já se esperava isso, a julgar pelas sondagens publicadas ao longo das pré-campanha e campanha eleitorais. Ora, porque será que Cavaco Silva apareceu sempre bem à frente dos adversários, nas sondagens? Bom, certamente houve um motivo decisivo para tal acontecer. As pessoas julgaram a sua actuação como Presidente de Portugal, ao longo dos últimos cinco anos e na sua grande maioria, ficaram satisfeitas. Mas não julgaram somente esse aspecto. Na minha opinião, esta reeleição deve-se também ao julgamento que as pessoas fizeram acerca da sua credibilidade tanto no país como além fronteiras, no conhecimento que ele tem dos assuntos do Estado, na postura do candidato que contra tudo e contra todos, soube estar sempre ao nível do que se espera que seja um Presidente da República. O mesmo não se pode dizer da maior parte dos restantes candidatos. Uns entenderam que a calúnia e a intromissão na vida pessoal do único adversário (Cavaco Silva) seria uma boa estratégia, outros pensaram que reviver o passado seria um bom caminho para o atacar. Pois todos eles se enganaram. E as pessoas julgaram-nos. E fizeram-no de uma forma eficaz. Cavaco Silva, apoiado pelo PSD, CDS/PP e MEP, derrotou de uma assentada, toda a esquerda que existe em Portugal, dos mais moderados aos mais radicais, em cada distrito do território nacional e alguns com diferenças que só são possíveis nos filmes de ficção (ex. Vizeu).
Apesar de serem eleições presidenciais, não posso deixar de pensar nos partidos que apoiaram as candidaturas derrotadas e da forma como sairão afectados deste acto eleitoral.Todos perderam mas…todos ganharam!
Como já vem sendo habitual em actos eleitorais, todos são vencedores. Ainda está para acontecer em Portugal, um acto eleitoral onde haja pelo menos um derrotado.
Perdeu Manuel Alegre porque não percebeu que o seu tempo como político já tinha chagado ao fim, bem antes desta eleição. Penso que agora não lhe restam dúvidas.
Perdeu Fernando Nobre porque pensava que estava em algum palco de guerra com a AMI, impondo a sua prepotência e arrogância aos seus colaboradores e não percebeu que o que tem para dar como político, as pessoas não querem. Penso eu que com a euforia do presente arrisca-se a correr os mesmos riscos que Manuel Alegre. Pensando ter um grande apoio hoje (cerca de 600 mil votos), recandidata-se daqui a cinco anos para perder novamente mas com menos votos e cair no esquecimento.
Perdeu Francisco Lopes porque os portugueses não querem o comunismo novamente em Portugal, como tem sido demonstrado ao longo destes anos de democracia.
Perdeu José Manuel Coelho porque a sua candidatura, na minha perspectiva, carecia de substância, de postura, de sentido de Estado e de universalidade dentro das fronteiras deste país.
Perdeu Defensor Moura porque entrou na pré-campanha destas eleições repleto de ódio, raiva e rancor contra Cavaco Silva mas o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Os portugueses não lhe perdoaram a postura sempre crispada em relação ao seu único adversário, Cavaco Silva. Além disso não tem qualquer sentido de Estado. Aliás, pela atitude que o candidato demonstrou ao longo da pré-campanha e campanha eleitoral e pela falta de sentido democrático depois de ter perdido as eleições e não ter felicitado o candidato vitorioso, admira-me bastante o facto de ter sido presidente de uma câmara municipal.
Perdeu o PS (novamente) porque apesar de serem eleições presidenciais, foi uma forma de penalizar o governo e quem lhe está ligado. Assim, penso que Sócrates não terá outra alternativa senão mexer no governo para que, com mais este golpe de cintura, se consiga aguentar mais uns meses, antes de tombar no precipício.
Perdeu o BE porque em lugar de apresentar um candidato saído das suas hostes, foram apoiar um candidato “do partido do governo” e como tal, também apoiado pelo partido do governo, que Louça tanto odeia e critica. Fica-se, afinal, sem saber se as zangas BE - Governo são reais ou simplesmente meras encenações direccionadas para as televisões. Em política, por vezes a aposta no “cavalo errado” trás custos muito elevados.
Perdeu o Governo porque com o “choque tecnológico” lançou um cartão designado por Cartão do Cidadão que tem trazido mais dissabores que alegrias, a quem os detém. A confusão generalizada que se verificou nestas eleições, já se tinha verificado em 2009 mas numa escala menor. É que hoje há mais cidadãos com este cartão. Desde essa altura até hoje, nada mudou. A confusão foi de tal forma grande que a Comissão Nacional de Eleições não consegue quantificar a moldura humana envolvida nessa matéria. Mais ainda. Segundo o governo, o número de eleitor não está retido no chip do cartão, o que lança mais confusão ainda. Pergunto: não seria melhor pensar-se num outro cartão que tivesse todos esses números, assim como a filiação de cada cidadão, para substituir este que só dá chatice e paralelamente pensar-se nuns leitores para ler esses novos cartões? Eu cá continuo com o meu velho BI que nunca me deixou ficar mal.
Onde o governo socialista mete a mão…
A Reconquista
Ganharam PSD, CDS/PP e MEP por terem tido visão estratégica e sentido de Estado, como sempre e não terem dúvidas de quem representará melhor Portugal em qualquer acto público, seja no interior seja no exterior e quem dará mais confiança aos mercados externos. Aliás, basta recordarmos a atenção e a preocupação com que os chineses seguiram estas eleições.
Notas Finais
Antes de terminar, quero referir duas notas que me merecem alguma atenção.
A primeira tem a ver com um comentário de Miguel Sousa Tavares, hoje na SIC em que ele afirmava que nestas eleições tudo tinha corrido normalmente. Não havia portanto nada a registar quanto a ataques pessoais e que havia sim, questões que deveriam ser respondidas. Bom, não me parece bem que jornalistas-comentadores falem sobre assuntos que desconhecem. Digo isto porque ele talvez não tenha acompanhado a campanha de Defensor Moura nem de Manuel Alegre. Se ele entende que esta campanha foi normal então pensará certamente que o comportamento das personagens referidas foi adequado a um futuro presidente. Eu assim não entendo.
A segunda nota é para aquele a quem chamo de “o intrometido” que, sabe-se lá porque carga de água, sendo socialista há já uns anos (parece que antes era do PSD) se prestou de imediato a dar o seu apoio a Cavaco Silva, aquando da sua vinda a Torres Novas, ao CRIT. Não sei se o fez por um desejo frenético de aparecer na televisão, se por outro motivo qualquer. Talvez tenha sido por se dizer que jogou nos laranjas, antes de jogar nos rosas. Será que quer voltar?
A vida é isto mesmo: umas vezes estamos aqui e outras estamos ali.
VIVA PORTUGAL
João Pando