sexta-feira, 25 de março de 2011

The Day After (O Dia Seguinte)

Ontem, 24 de Março de 2011, pensava eu que seria um dia de acalmia mas afinal foi dos dias mais profícuos em barbaridades proferidas, dos últimos tempos. Tudo num só dia. Aliás, nestes últimos dias de confronto verbal entre PSD e PS, não encontro um dia sequer que se lhe aproxime.
A começar por esse grande ministro Augusto Santos Silva, que acusou o PSD de ter duas caras face ao anunciado provável aumento do IVA para 24 ou 25%.
·         Ora aqui aparece logo a minha primeira curiosidade. Nunca ouvi este ministro dizer o que quer que fosse quando o seu governo aumentou o IVA durante a sua maioria absoluta nem quando o aumentou recentemente para 23%, para não falar de outras questões, como por exemplo o aumento desmesurado e desnorteado da dívida pública. Não deixa de ser estranho que só agora se tenha lembrado que afinal existe um imposto designado por IVA. Grande sentido de Estado, o deste senhor.
Depois vem o secretário de Estado da Economia, Fernando Medina dizer que a Fitch baixou o rating de Portugal em dois níveis, por culpa da irresponsabilidade do PSD.
·         Admira-me bastante que um secretário de Estado da Economia, não saiba que as empresas de rating não baixam os seus índices aos países por um acontecimento deste género precisamente porque os compromissos assumidos são-no pelo Estado, independentemente do partido do governo. São estruturais. A gestão dos ratings têm a ver com compromissos ao longo do tempo e não com acontecimentos circunstanciais. E é de tal forma assim que é o próprio director da FitchRatings, Douglas Renwick, quem diz que esta demissão não afecta o défice para 2011. Aliás, nas últimas duas semanas, Espanha viu baixar o rating a 30 bancos e não teve nenhuma crise política. Mais. Ontem mesmo, a bolsa portuguesa registou a quarta maior subida na Europa, contrariamente às expectativas face à demissão de Sócrates.
Penso eu que para se desempenhar um determinado cargo, é necessário ter um conhecimento mínimo da matéria envolvida. É por estas e por outras que nós portugueses estamos onde estamos.
Depois vem o igualmente brilhante ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, afirmar que foi com espanto que recebeu a notícia da intenção do PSD em supostamente aumentar o IVA, caso seja governo. Há aqui também uma curiosidade minha: então agora já todos vêm dizer aquilo que pensam? Andam todos muito empenhados em defender o chefe. Muito bem.
·         Não o vi ficar espantado nos sucessivos aumentos de impostos que o seu governo efectuou ao longo destes 6 anos de governação, alguns bem recentes, penalizando gravemente a maioria dos portugueses (…a maioria, pois há alguns que nada sofrem). Não o vi ficar espantado com os sucessivos aumentos dos juros sobre a dívida pública. Não o vi ficar espantado com as quantias elevadíssimas (2 mil milhões de euros) que os portugueses vão ter de pagar anualmente, até 2050, por causa das parcerias público-privadas. Não o vi ficar espantado com o empobrecimento da classe média que é quem suporta o país pelos seus impostos. Não o vi ficar espantado com a redução do IVA de 23% para 6% nos campos de golfe e com o aumento do IVA no leite das crianças, nas escolas, de 6% para 23%, incluído no seu Orçamento de Estado, etc, etc, etc…Também denota um grande sentido de Estado.
Depois vem o não menos extraordinário ministro, Jorge Lacão, afirmar que “…o sentido desenfreado do eleitoralismo leva o PSD a perder completamente o sentido da decência”.
Provavelmente já se esqueceu das medidas que o seu governo andou a apregoar e as promessas que apresentaram (…e que até hoje não cumpriram – 1000€ para cada nascimento, 5000 estágios na Função Pública,…), eles sim num eleitoralismo desenfreado, aquando das eleições legislativas de Setembro de 2009. Valeu tudo. Não há dúvida de que os portugueses, infelizmente, têm mesmo memória curta. Inclusive os políticos.

 
Depois vem ele acusar o PSD por assumir uma posição “completamente irresponsável” face à revogação do actual sistema de avaliação de desempenho dos docentes.
Lembro-me perfeitamente da anterior ministra da Educação referir que o modelo de avaliação estava concluído e que era um modelo excelente. Era de tal forma excelente que passados 3 meses já tinha sofrido mais de uma dezena de alterações.
“A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria”, Tomás de Aquino  
Todos os partidos com assento parlamentar, à excepção dos socialistas, claro, votaram favoravelmente este projecto de lei de revogação. Alguns sindicatos também ficaram satisfeitos com a posição de todos os partidos da oposição. Mas apesar de todos estes agentes estarem contra o actual modelo de avaliação, inclusive muitos professores, os socialistas continuam a dizer que eles é que têm razão e que todos os outros estão mal. Faz-me lembrar aquele indivíduo que entra na auto-estrada a circular em sentido contrário e diz que todos os outros é que estão a circular no sentido errado.
Esta revogação não é senão corrigir mais um erro do governo.
Depois aparece aquele que nos deixou na situação de miséria em que estamos, Sócrates, a dizer porque foi a Bruxelas “Estou aqui com uma única preocupação que é defender Portugal, é defender a moeda única e é defender o projecto europeu”. E concluiu com esta frase emblemática “alguém tem de pensar no país”.
Sinceramente, o primeiro-ministro demissionário deve ser um grande consumidor de queijo (…talvez seja ainda daquele queijo do tal orçamento de Guterres). É que parece que só ultimamente se começou a lembrar de que pelo facto de ser primeiro-ministro, deveria ter presente a defesa dos interesses do país. Até então nunca se preocupou com isso. Aliás, durante a sua maioria absoluta, nunca o ouvi falar no interesse nacional nem ser tão patriota como ele apresenta ser agora. E considero estranho também que só agora ele tenha começado a pensar no país.
Como é que alguém tão patriota como ele, ataca sem descanso, durante 6 anos, os seus compatriotas?
Como é possível alguém assim tratar tão mal os cidadãos (…que lhe pagam o salário todos os meses e não só…) e instituições deste país?
Não tenho dúvidas de que Sócrates deveria ir para o Teatro Nacional de S. Carlos pois na arte de representação, ele é um mestre. Mas os portugueses já o conhecem, no mínimo, há 6 longos anos.
A crise política não pode nem nunca poderá ser imputada ao PSD pelo simples facto da demissão ser efectuada pelo primeiro-ministro. Ele demitiu-se porque quis. Ninguém o forçou a tal situação. Foi portanto a sua vontade livre e espontânea que o definiu. Não venha agora dizer que também a culpa da sua demissão é dos outros. Se ele se tivesse preocupado com o país logo no início da crise internacional, não estaríamos agora nesta situação de miséria. Quando deveria ter efectuado o seu trabalho eficientemente, não o fez deixando o país chegar a este ponto e quando o começou a fazer, foram cometidos erros atrás de erros.
Hoje, Sócrates profere uma frase que lhe deveria dar muito mas muito que pensar: “Pergunto-me como foi possível fazerem isto ao país”. Se ele tivesse alguma vergonha, afastava-se definitivamente da política. Nunca Portugal desceu tão baixo. Sócrates deu uma ajuda decisiva para tal.

Portanto a chantagem que Sócrates quis criar e na qual continua a insistir, sobre a oposição e principalmente o PSD, dizendo que se não aprovassem o PEC, Portugal ficaria no caos, não resultou.
Eu compreendo que a derrota é amarga; compreendo também que não está a ser fácil para os socialistas, digerirem esse facto; compreendo até que atribuam a culpa aos outros pelos graves erros cometidos ao longo da sua governação de 6 anos, em que 4 desses anos foram de maioria absoluta e portanto (des)governaram conforme bem entenderam; compreendo ainda que com um dos piores ministros das Finanças da EU não se podia esperar coisa melhor, agora não consigo compreender que estes senhores governantes nos queiram fazer a nós, portugueses, de parvos, estúpidos e burros, fazendo afirmações completamente falsas, tentando inverter a situação e convencer-nos que estão a dizer a verdade, quando sabemos que não é assim. Pessoas destas não têm perfil para políticos. Queremos pessoas honestas, correctas e que trabalhem para o bem comum.
Convençam-se de uma vez que existe mais vida para além do socialismo e que as pessoas estão fartas deles. Assumam-no de uma vez.
É bom que os portugueses comecem a pensar pela sua cabeça e não se deixem enganar uma terceira vez. Analisem o que foi feito durante estes últimos 6 anos. Interroguem-se se estão a viver melhor ou pior que em 2005.
“O pior cego é o que não quer ver”.

Viva Portugal (...sem Sócrates)

João Pando

quinta-feira, 24 de março de 2011

23 Março 2011, O Dia da Redenção!

FINALMENTE!!! Sócrates surpreendeu-me hoje, 23-3-2011, pela positiva e conseguiu finalmente honrar um compromisso que ele próprio assumiu: demitir-se se o PEC IV não fosse aprovado e …fê-lo. PARABÉNS, está a ficar um homenzinho.

Nos últimos dias assistimos a um aumento da tensão entre, por um lado o partido do governo e o próprio governo e pelo outro, toda a oposição com destaque para o PSD, liderado por Pedro Passos Coelho.
Não é um exercício complicado, perceber porque aconteceu esse cenário. Essa tensão também já não é nova. Mas vejamos então alguns episódios recentes desta novela.
1.    Sócrates vai à Alemanha no início de Março falar com a senhora Angela Merkel e regressa visivelmente satisfeito (…vá-se lá saber porquê). Angela Merkel elogiou as medidas de austeridade assumidas pelo governo português mas disse também que é necessário proceder à sua implementação. Referiu ainda que essas medidas devem ir mais além. A Comissão Europeia também ficou satisfeita com estas novas medidas (PEC IV) apresentadas em Bruxelas, por Sócrates. Ora, aqui começam logo os problemas.
            Se Sócrates referiu, na semana passada, que não foi à Alemanha apresentar medidas adicionais a Angela Merkel, então que foi ele lá fazer? E como ficou a Comissão Europeia satisfeita com as novas medidas propostas? Se ele não referisse essas novas medidas a Angela Merkel, como teria ele o apoio da Alemanha?
2.    Na quarta-feira, dia 9 de Março, o Presidente Cavaco Silva tomou posse e efectuou um discurso muito duro para com o governo. Efectivamente o grande poder do Presidente da República, é a palavra. E nesse capítulo, Cavaco Silva soube utilizar bem as suas.
            Aquando da recepção que o Presidente deu a várias personalidades e que tinha início às 19 horas desse dia, Sócrates que supostamente deveria ser o primeiro a felicitar o Presidente, não o fez porque chegou atrasado cerca de 20 minutos. Terá sido retaliação pelo discurso?
3.    Na quinta-feira, dia 10 de Março, Passos Coelho recebe um telefonema de Sócrates, à noite, para lhe comunicar que no dia seguinte ia apresentar ao país medidas adicionais de austeridade, as quais nos foram apresentadas pelo ministro das Finanças (…naquela que viria a ser classificada como a pior comunicação do hemisfério norte, pelo seu companheiro de partido António Costa). Tanto o Presidente da República como uma grande parte dos ministros deste país, elementos da equipa de Sócrates e portanto da sua inteira confiança, vieram a saber destas medidas quando estas foram apresentadas aos portugueses, pelos Média. Penso que com esta birra de Sócrates, se quebrou aqui a pouca confiança institucional que ainda existia entre Presidente e Primeiro-Ministro. Foi de tal forma que até o seu “grande amigo” Mário Soares o veio acusar de grande erro.
É caso para perguntar: afinal quem é que está a criar uma crise política? Então não se informa o Presidente da República, das novas medidas de austeridade? Não se negoceia com ninguém essas medidas?
O PSD reagiu a estas medidas declarando o seu total e inequívoco desacordo.
Desacordo? Mas porquê?
Vejamos então algumas dessas medidas para que se entenda porquê:
·         redução nas despesas da saúde e com os medicamentos,
·         redução nas transferências de verbas para outros sectores que necessitem,
·         redução adicional de benefícios sociais,
·         redução das despesas de capital,
·         congelamento das reformas e aplicação de contribuição especial a todas as pensões acima de 1500 Euros,
·         menos investimento na rede escolar,
·         menos benefícios sociais,
·         redução de custos no sector empresarial do Estado,
·         redução de transferências para autarquias e regiões autónomas,
·         redução do investimento público,
·         redução das deduções fiscais,
·         actualização (aumento) dos impostos sobre o consumo e aumentos do IVA em produtos de taxas mais reduzidas.
Face a estas magníficas medidas, como pode o PSD e os restantes partidos estar em desacordo?

4.    No dia 19 de Março, Sócrates afirma não estar disponível para governar com o FMI e que o país não necessita de ajuda externa. Aliás, educou a família socialista para dizer que o PSD era irresponsável e que queria uma crise política que era altamente prejudicial ao país.
Pois eu penso que mais prejudicial que a entrada do FMI em Portugal, é sem dúvida o governo de Sócrates e a credibilidade que tão bem têm transmitido aos mercados (Curioso! Com os três PEC anteriores, os juros da dívida pública, em lugar de baixarem continuam num movimento crescente).
Como resposta, o PSD vem afirmar que aquilo que o PS fez foi ser bastante desleal para com o país. Aliás, apanhou mais uma mentira de Sócrates quando este afirmou que tinha enviado, no dia 11 de Março, uma carta à Comissão Europeia com as medidas deste PEC IV mas afinal a carta era datada do dia 10 de Março. É um pormenor que faz toda a diferença. Afinal vem só confirmar que Sócrates apresentou como dado adquirido, todas estas medidas do PEC IV à Comissão Europeia, sem negociar com ninguém e depois, sem qualquer margem negocial por imposição da EU, vem dizer que está disposto a negociar essas mesmas medidas.
5.    No dia 20 de Março, é aprovado o PEC IV pelo governo e o ministro da presidência vem reafirmar que o governo está “…inteiramente disponível para negociar”.
Ora, no dia 22 de Março, Jean-Claude Juncker, ministro das finanças do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, vem afirmar que "Aprovámos o programa de ajustamento tal como nos foi proposto pelo governo português …e que foi avalizado tanto pela Comissão Europeia como pelo Banco Central Europeu"
Então… como é possível o governo português querer negociar uma coisa que já foi apresentada e validada por Bruxelas e como tal, não está sujeita a qualquer negociação??? Será que os nossos governantes socialistas pensam que isto não passa tudo de uma grande brincadeira, onde podem dizer e desdizer, de cada vez que lhes apetece?
Ora, como é que alguém, no seu perfeito juízo, pode concordar com estas medidas?
O PS tem razão numa coisa: algo tem de ser feito. Mas isso é lógico.
No entanto, interessa dizer que chegámos a esta situação por incompetência continuada do governo que não soube tomar as medidas necessárias quando devia (…por questões eleitorais, penso eu).

Analisemos então algumas questões aqui envolvidas:
·         Sócrates nunca assumiu a responsabilidade de ter deixado o país no estado miserável em que se encontra. A culpa foi exclusivamente da crise internacional. Mas em Junho de 2008, uns meses antes da crise, disse ele a Hugo Chavez que a economia portuguesa estava “estagnada”.
·         Numa entrevista recente na SIC Notícias, afirmou que se não fosse aprovado este último pacote de medidas, Portugal teria problemas gravíssimos com uma possível crise política. Do género ou ele ou o caos.
·         Sócrates tomou, nos últimos dias e de forma mais vincada que nunca, uma posição de vítima da crise e da incompreensão dos partidos. Eu quero relembrar de que ele governou como bem quis e lhe apeteceu durante 4 anos de 2005 a 2009, sem qualquer bloqueio às suas propostas. Se não fez melhor, foi por incompetência ou porque não quis.
·         A ameaça da entrada do FMI em Portugal, penso sinceramente não ser tão assustadora como apregoam os socialistas. Aliás, a pergunta que faço é a seguinte:
Não será mais penalizador, para Portugal, manter este governo em funções que a suposta entrada do FMI?
É que vejo algumas vantagens na segunda alternativa. As sucessivas trapalhadas e mentiras do governo, acabam. Ficamos a conhecer o que é e não o que eu digo que é. A corrupção forçosamente diminui pelo rigor aplicado. Sabemos que os nossos sacrifícios presentes, hão-de dar frutos no futuro. Sabemos que os juros da dívida pública diminuirão bastante dada a garantia do FMI. Isso implica que iremos sacrificar menos os nossos filhos e os nossos netos com o pagamento dessa dívida.
·         Sócrates, ele próprio, se contradisse quando ainda há pouco, na sua primeira comunicação ao país já como primeiro-ministro demissionário afirmou que o governo esteve sempre disposto a negociar este PEC IV e depois refere que estas medidas foram aceites com agrado por todas as instâncias europeias. Então se foram aceites pelas instâncias europeias, como eram elas negociáveis com os partidos políticos? Palavra de honra que por vezes penso que Sócrates tem dupla personalidade pois penso que não é possível um governante concentrar em si tanto potencial para a mentira.
·         E por falar em honra, essa característica não abunda em nada no nosso primeiro-ministro demissionário. Para ele é muito simples dizer uma coisa de manhã e dizer outra de tarde. Eu tinha vergonha de o fazer.
·         Foi curioso ouvir Sócrates, nos últimos dias, apelar ao patriotismo, ao dar tudo pelo país. É pena que ele se tenha lembrado do patriotismo somente agora. Se tivesse sido patriota anteriormente, não estávamos no estado miserável em que nos encontramos.
·         Quero ainda relembrar de que o PSD, por algumas vezes, pôde deitar o governo abaixo mas em lugar da tão apregoada pelos socialistas sede de poder, deixou o governo, governar, sendo acusado disso pelos restantes partidos. Deixou passar dois PEC, um Orçamento de Estado (há cerca de 2 meses e meio atrás) e recusou duas moções de censura. Deu, portanto, 5 oportunidades ao governo. Nenhuma foi aproveitada. Aliás, cada uma delas era sempre a última, na voz do governo.
Muito mais havia a dizer mas o texto já vai longo. Por agora e para que tudo se modifique para melhor num futuro próximo, deixo-vos esta frase:
“À primeira, todos caem. À segunda, só cai quem quer e à terceira, só cai quem é parvo”.

Viva Portugal, Livre

João Pando

domingo, 13 de março de 2011

Educação “a la socialista”

Foi revogado na semana passada, pela Assembleia da República, o Decreto-Lei (DL) sobre a reorganização curricular para o ensino básico, já promulgado em Diário da República (DR), em Fevereiro último. Esta revisão curricular propunha essencialmente o seguinte:
·         Extinguir a disciplina de Área de Projecto.
·         Reduzir o número de professores de Educação Visual e Tecnológica, de dois para um.
·         Limitar o Estudo Acompanhado somente a alunos com mais dificuldades.
São três medidas que a ministra Isabel Alçada diz serem importantes para reduzir o orçamento e tornar o ensino mais eficiente.
Logo aqui começam os factos curiosos. Antes da discussão desta matéria na Assembleia da República (AR), a ministra tinha já referido que estas alterações seriam mais por questões pedagógicas e não tanto por questões de orçamento. Agora, dá o dito por não dito (…ao bom estilo do seu “professor” Sócrates) e vem reforçar a tese orçamental, não abordando sequer a questão da pedagogia. Não deixa de ser estranho. A questão é que o governo e a ministra já tinham contemplado em orçamento, os 43 milhões de euros que iriam poupar, segundo eles dizem. Não contavam, de forma alguma, com esta posição de toda a oposição.
Mais um facto curioso é o de que a ministra tinha referido, no início do ano, que nenhum professor seria despedido. Confrontada na AR com a questão de onde seriam os cortes para se chegar aos 43 M€, admitiu que a principal razão desta reorganização era orçamental e portanto é fácil de concluir que efectivamente iria proceder a despedimentos.
No meio de tudo isto, há coisas que me intrigam. Por exemplo:
·         Se a extinção de disciplinas e a redução de professores implicam poupar 43 M€, então porque foram criadas as disciplinas e contratados novos professores em 2006?
·         O governo da época estudou ou não os custos associados à implementação destas medidas? Terá havido despesismo por parte do governo?
·         Quanto já foi gasto desde 2006, com a aplicação destas medidas?
·         Se o governo tinha noção dos custos envolvidos, porque implementou as medidas?
·         Terá o governo admitido agora que errou, quando durante a anterior legislatura, os partidos da oposição os alertaram sucessivamente para os erros que estavam a ser cometidos, sem que o governo lhes ligasse importância?
·         Estará o governo a desinvestir na Educação, em nome da crise que ele próprio incrementou de forma bastante acentuada?
Estas são algumas das questões que todo este processo me leva a colocar.
Mas para mim, o mais surpreendente é ver que esta ministra da Educação não sabe, de todo, o que anda a fazer. Não passa de uma marionete nas mãos do Sócrates. O que a move não é nem nunca foi a causa da Educação mas sim o designado “tacho”. Senão vejamos. Na convenção do PS, antes das eleições legislativas de 2009, a ministra fez uma intervenção onde começou por dizer o seguinte:

Quero manifestar o meu apoio à política educativa seguida pelo XVII Governo Constitucional…”. (Ver http://www.youtube.com/watch?v=zbcRr-oEIJ8).
E continuou…
…e faço votos para que na próxima legislatura o governo do partido socialista prossiga e aprofunde o importante trabalho que tem vindo a realizar na Educação”.
Destas declarações retiro, pelo menos, duas conclusões imediatas:
1.    Se manifesta o seu total apoio à política seguida pelo governo, quer dizer que concorda com o que está a ser feito. Mas então como justifica acabar-se agora com a Área de Projecto, com o par de professores em EVT, etc?
2.    Quando proferiu tais afirmações, não estaria esta senhora à procura de um convite de Sócrates, pois sabia-se de antemão que a anterior ministra estava desgastada e não seria reconduzida?
O que me parece é que esta senhora além de ter uma fraca personalidade, tem uma imensa falta de visão do que é e para onde deve ir a Educação. É mais um elemento deste governo socialista que não sabe o que anda a fazer nem o que deve ser feito.
A provar que esta senhora não tem personalidade, está o recente episódio da conferência de imprensa, em que uma assessora do ministro da presidência a interrompe para referir que as três perguntas combinadas com os jornalistas já tinham sido colocadas e portanto que a conferência de imprensa terminava naquele momento, mandando a ministra de Educação, sair. Isto é também uma grande lição de democracia …à Sócrates.
É mais um episódio, no mínimo, caricato, revelador de que, na minha perspectiva, quem manda no governo são somente três pessoas: Sócrates, Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva. Todos os restantes são puras marionetes.
Para terminar e podermos ver até que ponto anda a incoerência deste (des)governo, coloco a questão:
·         Como pode o governo estar preocupado com a poupança de 43 M€ na Educação, quando anda completamente despreocupado com as centenas de milhões de euros que pretende gastar nas grandes obras públicas e outros?
Será que esta insistência do governo na realização das grandes obras públicas, é indicador de que Sócrates está a ver o seu reinado a acabar e como tal, quererá tirar algum partido do poder de decisão que ainda tem ou como se diz em bom português, estará à espera de “mamar” alguma coisa?
Pensando…”Que diabo, onde é que já vi um episódio semelhante?
                        Aaaaaahhhhh sim, foi no Freeport”.

João Pando

terça-feira, 8 de março de 2011

A Cidade do Medo!

Diz assim o dicionário da Língua Portuguesa, relativamente ao MEDO:
Sentimento de inquietação que surge com a ideia de um perigo real ou aparente”
Entre outras, esta é uma das definições aí encontradas.
Durante o período que Portugal atravessou de 48 anos de ditadura e que acabou há relativamente pouco tempo, tudo aquilo que fosse dito contra o regime e contra os seus protagonistas, colocava em sério risco os respectivos autores, podendo eles serem presos, barbaramente torturados, sem saberem se e quando voltariam a ser libertados.
Foram muitos os que passaram pelas famosas salas de tortura da PIDE/DGS. Pretendiam os homens próximos do regime que, além de impedir que esses continuassem com as suas práticas anti-regime, servissem também de exemplo para os restantes, dissuadindo-os das mesmas práticas.
Efectivamente havia muita gente com medo, neste país. Apesar das tentativas do poder político em dissuadir outros que parecessem mais afoitos, na verdade havia também gente feita de outra matéria, sem qualquer medo de intervir e esclarecida quanto ao que queriam para o seu país, para o seu futuro e para o futuro dos seus filhos.
Muitos estavam descontentes com o regime. Reuniam-se secretamente em casa de uns e de outros para falar de política e da vida melhor que queriam para todos e das acções a desenvolver. Eram os inconformados do regime, os indignados, os democratas. Por vezes eram apanhados. Não, não estou a falar daqueles como Jorge Sampaio que quando era preso por andar metido nas manifestações de estudantes, o seu pai, homem bem posicionado no Estado Novo, recebia um telefonema à noite e lá ia buscar o menino à esquadra da polícia. Como se sabe, “fartou-se de lutar e de sofrer com a ditadura”. Coitado. Estou a falar dos outros cujos pais eram simples cidadãos e que por vezes nem sabiam que os filhos passavam muitas horas de sofrimento nas casas da PIDE. Mesmo assim, esses portugueses cheios de esperança no país, enfrentavam uma máquina poderosa que lhes era perfeitamente adversa mas faziam-no por terem ideais, por quererem uma vida mais digna, livre e próspera.
E depois? Bem, depois veio a democracia, a liberdade, a esperança, a prosperidade,…Ou quase…
Houve uma enorme esperança no período pós 25 de Abril. Esperança em que a democracia nos proporcionasse uma vida bem melhor como tinham os ingleses, os alemães, os franceses, os noruegueses, os dinamarqueses.
Passaram quase 37 anos desde esse tempo em que os Homens deste país supostamente ganharam tudo isso. E o que temos hoje?
Continuamos a viver mal. Não me lembro de alguma vez neste país, no período pós 25 de Abril (o tal período da esperança), o poder político não falar em crise.
Que diabo, não teremos nós portugueses direito a níveis de vida como existe nesses países?

Hoje, limitamo-nos a viver, sem ideais, sem esperança, com uma democracia ditatorial, com liberdade condicionada e sem prosperidade. Mas a culpa é nossa.
·         Foi para este resultado que afinal portugueses corajosos, sem medo do regime, andaram a ser torturados nas salas de tortura?
·         É esta a vida de “tortura” que queremos viver?
·         Vamos deixar que este e outros governos se governem em lugar de nos proporcionar uma vida melhor, pois é para isso que lhes pagamos?
·         Vamos aceitar que os nossos direitos nos sejam retirados por estes governantes, em nome da crise, quando os seus direitos (muito mais dispendiosos que os nossos) continuam intactos?
Devíamos reflectir nestas questões.
Na minha perspectiva, antes do 25 de Abril, “a política servia-se dos políticos”. Hoje, considero que “os políticos servem-se da política”.
Mas pegando no título do artigo e depois desta introdução ao tema, verifico que o mesmo medo que existia antes do 25 de Abril, está novamente bem vincado na sociedade dita democrata. É vulgar assistir-se hoje a situações de perda de cargos, despedimento ou caso isso não seja possível, a situações de total desprezo pelas pessoas, bastando para tal pensarem de forma diferente e não estarem inscritas no partido. Nestes seis anos de socialismo socrático, esses casos sucedem-se. Por exemplo, o coordenador da DREC desde 1996 e que é militante socialista, que apoiava as escolas de Coimbra, foi demitido na semana passada por ter subscrito um abaixo-assinado contra o actual modelo de avaliação de professores. Neste caso, já nem o cartão do partido serviu.
O problema principal é que ninguém fala sobre estes assuntos com medo de que lhe aconteça o mesmo. Ou seja, o tal medo de outros tempos, reinstalou-se. Claro que a culpa é totalmente dos cidadãos pois temos permitido isso. A questão que se impõe parece-me ser a seguinte:
·         Por mais quanto tempo vamos permitir que isto aconteça? Mais 48 anos?
Efectivamente penso que é necessário aproximar as pessoas dos políticos mas como será isso possível quando eles apresentam atitudes completamente anti-democratas? O que têm eles feito de concreto para resolver essa situação? A meu ver, tem sido totalmente o inverso, cada vez se afastam mais, aliás como demonstram os actos eleitorais. E vamos permitir ser governados por gente desta natureza? É este o futuro que queremos dar aos nossos filhos? Será que são eles ou nós a geração Rasca, por nada termos feito para lhes darmos uma vida melhor?
Apesar de este medo estar espalhado por todo o território nacional, interessa-me particularmente um concelho: Torres Novas.
Torres Novas é um concelho onde há medo. Medo da classe política que governa esta pequena porção de Portugal. Medo dos responsáveis pelos organismos ligados à câmara e ao seu presidente António Rodrigues, por exemplo as escolas. Medo de enfrentar directamente esta classe de pseudo-políticos. Medo de os criticar, apesar de não se concordar com eles. Para tomarmos conhecimento desse medo de uma forma presencial, basta assistir às assembleias municipais e vermos o comportamento de alguns presidentes de junta ou do público que lá vai colocar questões (que habitualmente não é nenhum) ou vermos quem fala nos cafés das sucessivas viagens do presidente da câmara António Rodrigues ao estrangeiro, sem ninguém saber o que vai fazer e o que ganha Torres Novas com tal facto ou como os funcionários da câmara o vêem, entre outras.

Vejamos então, na edição do Jornal Torrejano de 18-2-2011, vinha uma notícia sobre a dívida da câmara de 250 mil euros a clubes e associações. E já para o final, a notícia referia que …os dirigentes, cansados e sem perspectiva de dias melhores, tornaram-se mais críticos e perderam o medo de divulgar a situação”. Cá está o assunto do medo.
Perderam o medo? Mas antes tinham medo? De quê? Não se deviam ter manifestado há mais tempo? Só agora a situação é aflitiva? Só reagem em situações extremas?
Isto significa que durante o período em que tiveram medo, não zelaram pelos interesses dos clubes e associações de que são dirigentes. São portanto maus dirigentes pois colocaram outros interesses à frente dos seus clubes/associações.
No parágrafo anterior dessa notícia diz que “…A dívida às Juntas de Freguesia do concelho, por atrasos nas transferências ao abrigo dos protocolos de cedência de competências (valetas e escolas) rondava no final do ano, os 344 mil euros.”
Ora, cá temos nós outro exemplo de maus dirigentes, neste caso políticos. A maior parte deles colocou sempre à frente dos seus interesses, não a população da freguesia mas sim a vassalagem ao “rei”. Pois se assim não for, acontece-lhes o mesmo que ao corajoso da Meia-Via.
Normalmente os conformados tomam a posição mais cómoda, ou seja, ficam calados e aguardam que os inconformados façam para depois poderem usufruir também.
Para terminar e completamente sem medo, não consigo compreender como é que é necessário uma canção, neste caso da banda Deolinda, para abrir mentes, despertar consciências, alertar para a situação de descontentamento generalizado, levar os jovens à acção. Isso devia-lhes ser natural já que estão a sofrer na pele o flagelo do desemprego, do trabalho precário, a Justiça condicionada, a Educação deseducada, os cortes nas bolsas de estudo, a falta de perspectivas para o futuro.
E dizem os políticos que o futuro do país está nos jovens…Só se estiverem a falar dos seus filhos.


João Pando