Parece-me que não são só pessoas pouco nobres que andam por aí. Também há pessoas pouco “seguras”.
Foi discutido na semana passada, no Parlamento, o programa do governo de coligação PSD-CDS/PP.
A medida mais radical e de fundo, apresentada pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, foi a de criar, por sugestão do Ministro das Finanças Vítor Gaspar, um imposto extraordinário sobre o rendimento singular, mais concretamente um corte de 50% sobre o subsídio de Natal.
A questão que se impõe é: porque terá o governo criado este imposto extraordinário? Por lhes ter simplesmente apetecido? Por serem do PSD e do CDS/PP? Não me parece.
O Governo fê-lo porque não teve alternativa. Fê-lo porque existe responsabilidade. Fê-lo porque existe verdade, honestidade, frontalidade. Fê-lo porque existe preocupação com o futuro do país, não do partido. Fê-lo porque ainda existe esperança, apesar do anterior governo quase a debilitar fatalmente.
Eu acredito neste governo, nestas mulheres e homens que nos vão tentar retirar da pré-bancarrota em que Sócrates e o seu PS nos deixaram.
Nunca foi dito que não haveria sacrifícios. Antes pelo contrário, habituámo-nos a ouvir durante a campanha eleitoral e mesmo antes que viriam mais e mais sacrifícios. E eles aí estão. Era disto que se falava. Só que agora há esperança.
Confesso que retirar-nos metade do subsídio de Natal, não será medida com a qual concorde. Nem nunca poderei concordar com uma medida desta natureza. E acredito que o governo também não. No entanto, devemos encarar a realidade como ela é e qual a situação em que nos deixaram. E uma vez que infelizmente a nossa Justiça não consegue responsabilizar os políticos que nos fazem mal (…pois são eles que fazem e aprovam as leis) e fazê-los pagar esta crise, temos de ser todos nós a contribuir para a saída desta crise e a tentar termos um futuro melhor. Nesta perspectiva, não me importo de me sujeitar a mais este sacrifício proposto pelo governo.
Alguns poder-me-ão dizer “ah mas se fosse o Sócrates a fazer isto, não concordavas”. E têm razão. Porque existe uma grande diferença que qualquer pessoa minimamente inteligente, consegue detectar: enquanto com Sócrates ninguém já tinha esperança de nada e portanto uma medida destas seria para nos penalizar sem qualquer vantagem futura, com Pedro Passos Coelho existe essa esperança e a possibilidade de Portugal recuperar, embora não saibamos o que irá acontecer no futuro. Esta é uma diferença decisiva. Mexe com as expectativas de cada um de nós. Principalmente quando começamos a pensar que futuro terão os nossos filhos e os nossos netos neste país, depois de nos esforçarmos dia após dia para que nada lhes falte.
Estas medidas saem-nos do corpo mas agora acreditamos que têm um propósito bem definido: melhorar a qualidade de vida de todos. De realçar que esta medida é para ser aplicada uma única vez.
Depois, aparecem os grandes entendidos em política nacional, pertencentes a várias organizações, a criticar estas medidas, mesmo depois do Instituto Nacional de Estatística (INE) ter publicado novos dados que nos empurram ainda mais para o fosso.
Um destes especialistas de política dá pelo nome de António José Seguro, candidato à liderança do partido que deixou Portugal, já por diversas vezes, à beira da bancarrota.
Diz ele então sobre esta medida que “Além de um disparate, é chocante…Os portugueses estão fartos de sacrifícios, já não têm mais furos no cinto para apertar”.
E penso que tem razão. É um disparate que só é necessário por causa do partido que nos governou anteriormente, do qual ele faz parte e pretende ser líder.
Mas há aqui outra coisa que me deixa perplexo e preocupado. António José Seguro parece ter a noção dos sacrifícios que os portugueses estão a suportar.
Mas sendo assim:
· Que fez António José Seguro para nos evitar essa sobrecarga de sacrifícios?
· Durante o governo de Sócrates, quantas vezes ele reclamou desses sacrifícios?
· Quantas vezes ele esteve do lado das pessoas, contra José Sócrates?
· Que fez ele para sermos menos penalizados pelas medidas do anterior governo?
· Quantas vezes falou António José Seguro, verdade aos portugueses, quando Sócrates nos mentia?
Pois é. Esteve sempre calado. Nunca abriu a boca contra o seu líder, ou seja, pactuou com tudo o que Sócrates fez. E porquê? Para se apresentar à liderança do PS como figura imaculada. E é um indivíduo desta estirpe que os socialistas vão eleger para líder? Na minha modesta opinião, não passa de mais um oportunista, que por questões partidárias (colocou sempre o partido em primeiro lugar, em lugar do país) e não de interesse nacional, quer vir a ser Primeiro-Ministro. Será que é para levar novamente o país à bancarrota, depois do governo PSD-CDS/PP o conseguirem recuperar?
Bom, a história dos últimos trinta e sete anos foi isso que nos ensinou:
O socialismo estraga; a social-democracia recupera.
O socialismo empobrece; a social-democracia enriquece.
O socialismo esconde; a social-democracia mostra.
…
Em relação ao Francisco Assis, nem vou tecer comentários pois todos nós estamos a sofrer na pele as decisões que ele apoiou na Assembleia da República. Conhecemo-lo bem.
Será uma destas duas personalidades que irá conduzir o maior partido da oposição. É caso para dizer: “Livrai-nos Senhor”.
Quero acrescentar ainda que já algumas coisas se vão sabendo da actuação menos transparente do governo anterior, lesando sempre o Estado, ou seja, todos nós, como por exemplo:
· A venda de imóveis a preços muito mais baixos do seu valor;
· Graves irregularidades na contratação de consultoras, por empresas do Estado;
· Pagamento indevido de seguros a familiares de funcionários do Estado, por parte de empresas reguladoras financeiras;
· Pagamentos de subsídios e outros a magistrados que já tinham falecido;
· Não cobrança de IRS em subsídios de compensação, a magistrados;
· …
Mas mais situações virão à tona. É só aguardarmos que elas irão surgindo.
Quero, no entanto, realçar uma situação que além de ser preocupante como as restantes, demonstra bem o nível das pessoas que nos governaram nos últimos seis anos.
Ficámos recentemente a saber que o anterior governo procedeu, na semana que antecedeu a tomada de posse do novo governo de coligação PSD-CDS/PP, a uma eliminação de registos nos ministérios da Economia e Finanças. Segundo foi noticiado, o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER) eliminou todos os dados relativos a históricos de mensagens de correio electrónico oficiais, listas de contactos, todo o conteúdo de dados em disco rígido, etc.. De tal forma que alguém do Ministério das Finanças referiu que seria como “começar de novo”.
Ora bem, se a informação era oficial, então porque terá sido ela eliminada?
O que poderia comprometer e quem?
Se a informação era pessoal, então o que faziam esses dados nos computadores dos ministérios?
Não sou magistrado mas…não haverá aqui alguma matéria de crime?
Seria bom que o Ministério da Justiça desenvolvesse esforços no sentido de apurar responsabilidades nesta e em muitas outras situações.
Viva Portugal
João Pando