FINALMENTE!!! Sócrates surpreendeu-me hoje, 23-3-2011, pela positiva e conseguiu finalmente honrar um compromisso que ele próprio assumiu: demitir-se se o PEC IV não fosse aprovado e …fê-lo. PARABÉNS, está a ficar um homenzinho.
Nos últimos dias assistimos a um aumento da tensão entre, por um lado o partido do governo e o próprio governo e pelo outro, toda a oposição com destaque para o PSD, liderado por Pedro Passos Coelho.
Não é um exercício complicado, perceber porque aconteceu esse cenário. Essa tensão também já não é nova. Mas vejamos então alguns episódios recentes desta novela.
1. Sócrates vai à Alemanha no início de Março falar com a senhora Angela Merkel e regressa visivelmente satisfeito (…vá-se lá saber porquê). Angela Merkel elogiou as medidas de austeridade assumidas pelo governo português mas disse também que é necessário proceder à sua implementação. Referiu ainda que essas medidas devem ir mais além. A Comissão Europeia também ficou satisfeita com estas novas medidas (PEC IV) apresentadas em Bruxelas, por Sócrates. Ora, aqui começam logo os problemas.
Se Sócrates referiu, na semana passada, que não foi à Alemanha apresentar medidas adicionais a Angela Merkel, então que foi ele lá fazer? E como ficou a Comissão Europeia satisfeita com as novas medidas propostas? Se ele não referisse essas novas medidas a Angela Merkel, como teria ele o apoio da Alemanha?
2. Na quarta-feira, dia 9 de Março, o Presidente Cavaco Silva tomou posse e efectuou um discurso muito duro para com o governo. Efectivamente o grande poder do Presidente da República, é a palavra. E nesse capítulo, Cavaco Silva soube utilizar bem as suas.
Aquando da recepção que o Presidente deu a várias personalidades e que tinha início às 19 horas desse dia, Sócrates que supostamente deveria ser o primeiro a felicitar o Presidente, não o fez porque chegou atrasado cerca de 20 minutos. Terá sido retaliação pelo discurso?
3. Na quinta-feira, dia 10 de Março, Passos Coelho recebe um telefonema de Sócrates, à noite, para lhe comunicar que no dia seguinte ia apresentar ao país medidas adicionais de austeridade, as quais nos foram apresentadas pelo ministro das Finanças (…naquela que viria a ser classificada como a pior comunicação do hemisfério norte, pelo seu companheiro de partido António Costa). Tanto o Presidente da República como uma grande parte dos ministros deste país, elementos da equipa de Sócrates e portanto da sua inteira confiança, vieram a saber destas medidas quando estas foram apresentadas aos portugueses, pelos Média. Penso que com esta birra de Sócrates, se quebrou aqui a pouca confiança institucional que ainda existia entre Presidente e Primeiro-Ministro. Foi de tal forma que até o seu “grande amigo” Mário Soares o veio acusar de grande erro.
É caso para perguntar: afinal quem é que está a criar uma crise política? Então não se informa o Presidente da República, das novas medidas de austeridade? Não se negoceia com ninguém essas medidas?
O PSD reagiu a estas medidas declarando o seu total e inequívoco desacordo.
Desacordo? Mas porquê?
Vejamos então algumas dessas medidas para que se entenda porquê:
· redução nas despesas da saúde e com os medicamentos,
· redução nas transferências de verbas para outros sectores que necessitem,
· redução adicional de benefícios sociais,
· redução das despesas de capital,
· congelamento das reformas e aplicação de contribuição especial a todas as pensões acima de 1500 Euros,
· menos investimento na rede escolar,
· menos benefícios sociais,
· redução de custos no sector empresarial do Estado,
· redução de transferências para autarquias e regiões autónomas,
· redução do investimento público,
· redução das deduções fiscais,
· actualização (aumento) dos impostos sobre o consumo e aumentos do IVA em produtos de taxas mais reduzidas.
Face a estas magníficas medidas, como pode o PSD e os restantes partidos estar em desacordo?
4. No dia 19 de Março, Sócrates afirma não estar disponível para governar com o FMI e que o país não necessita de ajuda externa. Aliás, educou a família socialista para dizer que o PSD era irresponsável e que queria uma crise política que era altamente prejudicial ao país.
Pois eu penso que mais prejudicial que a entrada do FMI em Portugal, é sem dúvida o governo de Sócrates e a credibilidade que tão bem têm transmitido aos mercados (Curioso! Com os três PEC anteriores, os juros da dívida pública, em lugar de baixarem continuam num movimento crescente).
Como resposta, o PSD vem afirmar que aquilo que o PS fez foi ser bastante desleal para com o país. Aliás, apanhou mais uma mentira de Sócrates quando este afirmou que tinha enviado, no dia 11 de Março, uma carta à Comissão Europeia com as medidas deste PEC IV mas afinal a carta era datada do dia 10 de Março. É um pormenor que faz toda a diferença. Afinal vem só confirmar que Sócrates apresentou como dado adquirido, todas estas medidas do PEC IV à Comissão Europeia, sem negociar com ninguém e depois, sem qualquer margem negocial por imposição da EU, vem dizer que está disposto a negociar essas mesmas medidas.
5. No dia 20 de Março, é aprovado o PEC IV pelo governo e o ministro da presidência vem reafirmar que o governo está “…inteiramente disponível para negociar”.
Ora, no dia 22 de Março, Jean-Claude Juncker, ministro das finanças do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, vem afirmar que "Aprovámos o programa de ajustamento tal como nos foi proposto pelo governo português …e que foi avalizado tanto pela Comissão Europeia como pelo Banco Central Europeu"
Então… como é possível o governo português querer negociar uma coisa que já foi apresentada e validada por Bruxelas e como tal, não está sujeita a qualquer negociação??? Será que os nossos governantes socialistas pensam que isto não passa tudo de uma grande brincadeira, onde podem dizer e desdizer, de cada vez que lhes apetece?
Ora, como é que alguém, no seu perfeito juízo, pode concordar com estas medidas?
O PS tem razão numa coisa: algo tem de ser feito. Mas isso é lógico.
No entanto, interessa dizer que chegámos a esta situação por incompetência continuada do governo que não soube tomar as medidas necessárias quando devia (…por questões eleitorais, penso eu).
Analisemos então algumas questões aqui envolvidas:
· Sócrates nunca assumiu a responsabilidade de ter deixado o país no estado miserável em que se encontra. A culpa foi exclusivamente da crise internacional. Mas em Junho de 2008, uns meses antes da crise, disse ele a Hugo Chavez que a economia portuguesa estava “estagnada”.
· Numa entrevista recente na SIC Notícias, afirmou que se não fosse aprovado este último pacote de medidas, Portugal teria problemas gravíssimos com uma possível crise política. Do género ou ele ou o caos.
· Sócrates tomou, nos últimos dias e de forma mais vincada que nunca, uma posição de vítima da crise e da incompreensão dos partidos. Eu quero relembrar de que ele governou como bem quis e lhe apeteceu durante 4 anos de 2005 a 2009, sem qualquer bloqueio às suas propostas. Se não fez melhor, foi por incompetência ou porque não quis.
· A ameaça da entrada do FMI em Portugal, penso sinceramente não ser tão assustadora como apregoam os socialistas. Aliás, a pergunta que faço é a seguinte:
Não será mais penalizador, para Portugal, manter este governo em funções que a suposta entrada do FMI?
É que vejo algumas vantagens na segunda alternativa. As sucessivas trapalhadas e mentiras do governo, acabam. Ficamos a conhecer o que é e não o que eu digo que é. A corrupção forçosamente diminui pelo rigor aplicado. Sabemos que os nossos sacrifícios presentes, hão-de dar frutos no futuro. Sabemos que os juros da dívida pública diminuirão bastante dada a garantia do FMI. Isso implica que iremos sacrificar menos os nossos filhos e os nossos netos com o pagamento dessa dívida.
· Sócrates, ele próprio, se contradisse quando ainda há pouco, na sua primeira comunicação ao país já como primeiro-ministro demissionário afirmou que o governo esteve sempre disposto a negociar este PEC IV e depois refere que estas medidas foram aceites com agrado por todas as instâncias europeias. Então se foram aceites pelas instâncias europeias, como eram elas negociáveis com os partidos políticos? Palavra de honra que por vezes penso que Sócrates tem dupla personalidade pois penso que não é possível um governante concentrar em si tanto potencial para a mentira.
· E por falar em honra, essa característica não abunda em nada no nosso primeiro-ministro demissionário. Para ele é muito simples dizer uma coisa de manhã e dizer outra de tarde. Eu tinha vergonha de o fazer.
· Foi curioso ouvir Sócrates, nos últimos dias, apelar ao patriotismo, ao dar tudo pelo país. É pena que ele se tenha lembrado do patriotismo somente agora. Se tivesse sido patriota anteriormente, não estávamos no estado miserável em que nos encontramos.
· Quero ainda relembrar de que o PSD, por algumas vezes, pôde deitar o governo abaixo mas em lugar da tão apregoada pelos socialistas sede de poder, deixou o governo, governar, sendo acusado disso pelos restantes partidos. Deixou passar dois PEC, um Orçamento de Estado (há cerca de 2 meses e meio atrás) e recusou duas moções de censura. Deu, portanto, 5 oportunidades ao governo. Nenhuma foi aproveitada. Aliás, cada uma delas era sempre a última, na voz do governo.
Muito mais havia a dizer mas o texto já vai longo. Por agora e para que tudo se modifique para melhor num futuro próximo, deixo-vos esta frase:
“À primeira, todos caem. À segunda, só cai quem quer e à terceira, só cai quem é parvo”.
Viva Portugal, Livre
João Pando
Ainda sobre o feudalismo, e outros termos usados durante o Idade Média, como feudo servidão, senhorio e estemantal.Em qual cenário ocorreu os termos citados?
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