sexta-feira, 25 de março de 2011

The Day After (O Dia Seguinte)

Ontem, 24 de Março de 2011, pensava eu que seria um dia de acalmia mas afinal foi dos dias mais profícuos em barbaridades proferidas, dos últimos tempos. Tudo num só dia. Aliás, nestes últimos dias de confronto verbal entre PSD e PS, não encontro um dia sequer que se lhe aproxime.
A começar por esse grande ministro Augusto Santos Silva, que acusou o PSD de ter duas caras face ao anunciado provável aumento do IVA para 24 ou 25%.
·         Ora aqui aparece logo a minha primeira curiosidade. Nunca ouvi este ministro dizer o que quer que fosse quando o seu governo aumentou o IVA durante a sua maioria absoluta nem quando o aumentou recentemente para 23%, para não falar de outras questões, como por exemplo o aumento desmesurado e desnorteado da dívida pública. Não deixa de ser estranho que só agora se tenha lembrado que afinal existe um imposto designado por IVA. Grande sentido de Estado, o deste senhor.
Depois vem o secretário de Estado da Economia, Fernando Medina dizer que a Fitch baixou o rating de Portugal em dois níveis, por culpa da irresponsabilidade do PSD.
·         Admira-me bastante que um secretário de Estado da Economia, não saiba que as empresas de rating não baixam os seus índices aos países por um acontecimento deste género precisamente porque os compromissos assumidos são-no pelo Estado, independentemente do partido do governo. São estruturais. A gestão dos ratings têm a ver com compromissos ao longo do tempo e não com acontecimentos circunstanciais. E é de tal forma assim que é o próprio director da FitchRatings, Douglas Renwick, quem diz que esta demissão não afecta o défice para 2011. Aliás, nas últimas duas semanas, Espanha viu baixar o rating a 30 bancos e não teve nenhuma crise política. Mais. Ontem mesmo, a bolsa portuguesa registou a quarta maior subida na Europa, contrariamente às expectativas face à demissão de Sócrates.
Penso eu que para se desempenhar um determinado cargo, é necessário ter um conhecimento mínimo da matéria envolvida. É por estas e por outras que nós portugueses estamos onde estamos.
Depois vem o igualmente brilhante ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, afirmar que foi com espanto que recebeu a notícia da intenção do PSD em supostamente aumentar o IVA, caso seja governo. Há aqui também uma curiosidade minha: então agora já todos vêm dizer aquilo que pensam? Andam todos muito empenhados em defender o chefe. Muito bem.
·         Não o vi ficar espantado nos sucessivos aumentos de impostos que o seu governo efectuou ao longo destes 6 anos de governação, alguns bem recentes, penalizando gravemente a maioria dos portugueses (…a maioria, pois há alguns que nada sofrem). Não o vi ficar espantado com os sucessivos aumentos dos juros sobre a dívida pública. Não o vi ficar espantado com as quantias elevadíssimas (2 mil milhões de euros) que os portugueses vão ter de pagar anualmente, até 2050, por causa das parcerias público-privadas. Não o vi ficar espantado com o empobrecimento da classe média que é quem suporta o país pelos seus impostos. Não o vi ficar espantado com a redução do IVA de 23% para 6% nos campos de golfe e com o aumento do IVA no leite das crianças, nas escolas, de 6% para 23%, incluído no seu Orçamento de Estado, etc, etc, etc…Também denota um grande sentido de Estado.
Depois vem o não menos extraordinário ministro, Jorge Lacão, afirmar que “…o sentido desenfreado do eleitoralismo leva o PSD a perder completamente o sentido da decência”.
Provavelmente já se esqueceu das medidas que o seu governo andou a apregoar e as promessas que apresentaram (…e que até hoje não cumpriram – 1000€ para cada nascimento, 5000 estágios na Função Pública,…), eles sim num eleitoralismo desenfreado, aquando das eleições legislativas de Setembro de 2009. Valeu tudo. Não há dúvida de que os portugueses, infelizmente, têm mesmo memória curta. Inclusive os políticos.

 
Depois vem ele acusar o PSD por assumir uma posição “completamente irresponsável” face à revogação do actual sistema de avaliação de desempenho dos docentes.
Lembro-me perfeitamente da anterior ministra da Educação referir que o modelo de avaliação estava concluído e que era um modelo excelente. Era de tal forma excelente que passados 3 meses já tinha sofrido mais de uma dezena de alterações.
“A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria”, Tomás de Aquino  
Todos os partidos com assento parlamentar, à excepção dos socialistas, claro, votaram favoravelmente este projecto de lei de revogação. Alguns sindicatos também ficaram satisfeitos com a posição de todos os partidos da oposição. Mas apesar de todos estes agentes estarem contra o actual modelo de avaliação, inclusive muitos professores, os socialistas continuam a dizer que eles é que têm razão e que todos os outros estão mal. Faz-me lembrar aquele indivíduo que entra na auto-estrada a circular em sentido contrário e diz que todos os outros é que estão a circular no sentido errado.
Esta revogação não é senão corrigir mais um erro do governo.
Depois aparece aquele que nos deixou na situação de miséria em que estamos, Sócrates, a dizer porque foi a Bruxelas “Estou aqui com uma única preocupação que é defender Portugal, é defender a moeda única e é defender o projecto europeu”. E concluiu com esta frase emblemática “alguém tem de pensar no país”.
Sinceramente, o primeiro-ministro demissionário deve ser um grande consumidor de queijo (…talvez seja ainda daquele queijo do tal orçamento de Guterres). É que parece que só ultimamente se começou a lembrar de que pelo facto de ser primeiro-ministro, deveria ter presente a defesa dos interesses do país. Até então nunca se preocupou com isso. Aliás, durante a sua maioria absoluta, nunca o ouvi falar no interesse nacional nem ser tão patriota como ele apresenta ser agora. E considero estranho também que só agora ele tenha começado a pensar no país.
Como é que alguém tão patriota como ele, ataca sem descanso, durante 6 anos, os seus compatriotas?
Como é possível alguém assim tratar tão mal os cidadãos (…que lhe pagam o salário todos os meses e não só…) e instituições deste país?
Não tenho dúvidas de que Sócrates deveria ir para o Teatro Nacional de S. Carlos pois na arte de representação, ele é um mestre. Mas os portugueses já o conhecem, no mínimo, há 6 longos anos.
A crise política não pode nem nunca poderá ser imputada ao PSD pelo simples facto da demissão ser efectuada pelo primeiro-ministro. Ele demitiu-se porque quis. Ninguém o forçou a tal situação. Foi portanto a sua vontade livre e espontânea que o definiu. Não venha agora dizer que também a culpa da sua demissão é dos outros. Se ele se tivesse preocupado com o país logo no início da crise internacional, não estaríamos agora nesta situação de miséria. Quando deveria ter efectuado o seu trabalho eficientemente, não o fez deixando o país chegar a este ponto e quando o começou a fazer, foram cometidos erros atrás de erros.
Hoje, Sócrates profere uma frase que lhe deveria dar muito mas muito que pensar: “Pergunto-me como foi possível fazerem isto ao país”. Se ele tivesse alguma vergonha, afastava-se definitivamente da política. Nunca Portugal desceu tão baixo. Sócrates deu uma ajuda decisiva para tal.

Portanto a chantagem que Sócrates quis criar e na qual continua a insistir, sobre a oposição e principalmente o PSD, dizendo que se não aprovassem o PEC, Portugal ficaria no caos, não resultou.
Eu compreendo que a derrota é amarga; compreendo também que não está a ser fácil para os socialistas, digerirem esse facto; compreendo até que atribuam a culpa aos outros pelos graves erros cometidos ao longo da sua governação de 6 anos, em que 4 desses anos foram de maioria absoluta e portanto (des)governaram conforme bem entenderam; compreendo ainda que com um dos piores ministros das Finanças da EU não se podia esperar coisa melhor, agora não consigo compreender que estes senhores governantes nos queiram fazer a nós, portugueses, de parvos, estúpidos e burros, fazendo afirmações completamente falsas, tentando inverter a situação e convencer-nos que estão a dizer a verdade, quando sabemos que não é assim. Pessoas destas não têm perfil para políticos. Queremos pessoas honestas, correctas e que trabalhem para o bem comum.
Convençam-se de uma vez que existe mais vida para além do socialismo e que as pessoas estão fartas deles. Assumam-no de uma vez.
É bom que os portugueses comecem a pensar pela sua cabeça e não se deixem enganar uma terceira vez. Analisem o que foi feito durante estes últimos 6 anos. Interroguem-se se estão a viver melhor ou pior que em 2005.
“O pior cego é o que não quer ver”.

Viva Portugal (...sem Sócrates)

João Pando

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