terça-feira, 21 de junho de 2011

O Governo dos “Inexperientes”

Todos nós ficámos a saber, na passada sexta-feira, qual será a composição do novo governo de coligação PSD-CDS/PP, que entrou hoje em funções.
Penso que depois de um período eleitoral muito exigente, onde os líderes dos principais partidos políticos (com assento parlamentar), esgrimiram de forma vigorosa as suas propostas e convicções e depois de um resultado inequívoco que resultou do acto eleitoral de 5 de Junho, muitos dos portugueses estariam na expectativa de saber:
·         Em primeiro lugar, quais os ministros que seriam propostos para este novo governo de coligação, pois não só se falava em alguns nomes como havia ainda a questão de que personalidades independentes o pudessem vir a integrar.
·         Em segundo lugar, quantos ministros teria o CDS/PP neste governo de coligação e quais as pastas que ocuparia, sabendo de antemão que a agricultura era uma forte possibilidade, pela sua constante abordagem ao tema na Assembleia da República (AR).
·         Em terceiro lugar, quais os ministérios deste novo governo, uma vez que passaríamos de dezasseis ministérios no governo demissionário para onze ministérios do próximo governo.
Ora, muito se especulou à volta destas questões. Muitos nomes foram falados, muitas linhas de jornal escritas, algumas horas de televisão gastas e… muita ansiedade.
Foi publicado, antes mesmo de se saber a composição do novo governo, qual o papel que Miguel Relvas iria desempenhar futuramente e também o de Paulo Portas. Na minha opinião, foram pastas muito bem entregues a pessoas com alguma experiência governativa. Estou certo de que farão um óptimo trabalho, no interesse da nação.
Este episódio das críticas prévias trouxe-me à memória a contestação que houve em relação a Pedro Santana Lopes, mesmo antes de ser Primeiro-Ministro, em 2004. Ninguém sabia como seria ele como Primeiro-Ministro mas era contestado por todos, inclusive dentro do próprio partido.
Bom, mas quando finalmente ficámos a saber, de forma oficial, qual a composição do governo que vai conduzir os destinos do país, pelo menos, durante os próximos quatro anos, começaram a surgir opiniões vindas de todos os sectores de actividade e quadrantes políticos.
Ouvi muitas opiniões sobre os novos governantes. Umas foram bastante positivas e outras nem por isso mas deixem-me dizer-vos que algumas (muito poucas) foram bem tristes, pois vieram de pessoas que tiveram a oportunidade de provar o que valem e que nada fizeram ou fizeram mal. Mas a esses, o tempo há-de encarregar-se de os condenar, já que a Justiça não o consegue.
Bem, a maior parte das opiniões, quer de políticos quer de comentadores, é a de que os novos governantes não têm experiência governativa. Já Sócrates referiu esse aspecto na campanha eleitoral, a falta de experiência governativa de Pedro Passos Coelho. Francisco Assis referiu esse aspecto na RTP. Como se fosse essa condição “sine qua non” para se ter sucesso no que quer que seja.
Na minha opinião, este é até um argumento pouco inteligente (para não dizer completamente estúpido). E então vindo destas duas personalidades…Sócrates e os seus ministros, tiveram a capacidade de nos demonstrar como pessoas com experiência governativa conseguem levar um país quase à bancarrota. Decididamente não é disto que necessitamos.
Coitado de quem não possui a experiência necessária para desempenhar as suas funções. Nunca conseguirá ser um bom profissional.
Estão, no entanto, a esquecer-se somente de um pequeno pormenor: o Homem tem a extraordinária capacidade de aprender coisas, caso não tenham ainda reparado. Esse é só um dos pressupostos da nossa evolução. Coisa pouca.
Voltando às opiniões que correram por aí, vejamos por exemplo o caso de João Semedo do Bloco de Esquerda. Diz ele que “O doutor Paulo Portas, o doutor Pedro Passos Coelho tinham prometido um Governo com os melhores da sociedade. Hoje o que nós vemos é um Governo com um peso excessivo dos aparelhos partidários, com os aparelhos do PSD e do CDS”. Esta, considero ser mais uma das afirmações muito pouco inteligentes.
Ora vejamos, meu caro João Semedo:
1.     Neste governo, o partido vencedor das eleições não tem maioria absoluta, uma vez que CDS/PP e Independentes totalizam sete (7) ministros. Foi opção do novo Primeiro-Ministro de Portugal. É preciso muita coragem para tal.
2.    Estas eleições foram ganhas por partidos políticos e não por independentes. Tal como na campanha eleitoral, Pedro Passos Coelho sempre afirmou que o governo seria aberto a outros partidos e à sociedade civil. Como homem de palavra que é, assim o fez.
3.    O governo tem quatro (4) ministros independentes, o que significa que num total de onze, a percentagem situa-se nos 36,4%. É só fazer as contas, como diria o outro senhor. Ou seja, mais de um terço dos ministros são independentes.
4.    O governo tem quatro (4) ministros do PSD, curiosamente tantos quantos os independentes, ou seja, 36,4% dos ministros.
5.     O governo tem três (3) ministros do CDS/PP o que equivale a 27, 2% dos ministros.
6.    O peso dos partidos políticos no governo é de 63,6%, ou seja, nem sequer chega a dois terços. Mas que diabo! Foram os partidos que ganharam as eleições.
7.    Além do que já foi referido, está a colocar em causa a competência de cada um dos ministros, mesmo sem conhecer o seu trabalho, quando afirma que “…Pedro Passos Coelho tinham prometido um Governo com os melhores da sociedade”. Isto não é senão maledicência. Parece-me que é precisamente o melhor que o BE consegue.
8.    Será que num governo do Bloco de Esquerda, os ministros seriam todos independentes? Pela afirmação que efectuou, depreendo que sim.
Penso que se deve preocupar mais com a liderança do seu partido, a qual saiu deste processo eleitoral muito fragilizada pois perdeu metade dos deputados e não tanto com estas questões.
Ah, sim…e quando efectuar alguma crítica a quem quer que seja, estude bem a matéria antes de o fazer, para não cair no ridículo de criticar sem fundamento.
Depois vem um dos paladinos da “defesa dos trabalhadores, contra o grande capital e a política do quero, posso e mando…” Bernardino Soares, dizer o seguinte: “O perfil e a estrutura que nos é apresentada, em relação aos ministros e aos ministérios, confirma um Governo com a intenção de prosseguir esta política que tem vindo a anunciar, profundamente lesiva dos interesses nacionais, de cedência às imposições do FMI e da União Europeia e de continuação do agravamento das desigualdades sociais, da recessão e do desemprego.”
Vejamos então:
1.    Ainda não foi apresentado o programa de governo e já Bernardino Soares está a dizer que a intenção é continuar com a política anunciada, profundamente lesiva dos interesses nacionais, etc., etc. Sei que ele é deputado da nação mas não fazia a mínima ideia de que o Cassete Bernardino era VIDENTE. Do PCP, já sabemos que a conversa que sai é sempre igual. Tal como o seu programa proposto às eleições de 2009 e 2011. Eu confirmei isso. É que para os comunistas e “verdes”, a situação de 2009 é exactamente igual à que vivemos hoje.
2.    Não faço a mínima ideia do que é uma política “…profundamente lesiva dos interesses nacionais”. Como esta frase tem um conteúdo informativo igual a zero, pode ser que entretanto os comunistas nos informem do que se trata. É mais um chavão dos comunistas. A não ser que ele se esteja a referir às duas únicas vezes em que os comunistas governaram este país, com o então Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves e que andou para entregar todo o nosso ouro aos países nossos fornecedores. Se não se refere a isso, então não há aqui nada de novo.
3.    Ele refere também “…e de continuação do agravamento das desigualdades sociais, da recessão e do desemprego.”. Bom, como deputado da AR, está devidamente informado acerca da situação do país e das perspectivas futuras. Ele sabe perfeitamente que a situação ainda se agravará nestes próximos dois anos. Não é novidade para ninguém. Mas se por acaso ele é possuidor do toque de Midas, então que desagrave as desigualdades sociais, nos tire da recessão e do desemprego excessivo, o quanto antes. Os portugueses agradecem.
4.    Se tem algo a reclamar, que o faça com o governo cessante, não com este. E já agora, um conselho: tenha calma e não avalie os ministros antes sequer de terem iniciado funções. Isso não abona a favor da democracia.
5.    Não havendo cedência às imposições do FMI, como os comunistas e bloquistas pretendiam, onde iriam eles encontrar dinheiro para cobrir a dívida de Portugal? A solução estaria em renegociar a dívida? Qual seria o crédito que Portugal passaria a ter na comunidade internacional, sabendo os mercados que não conseguimos pagar as nossas dívidas?
É que…é muito fácil falar quando sabemos de antemão que não seremos governo.
Depois vem Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, dizer: “Do ponto de vista global, a constituição do novo Governo dá indicadores de que estão a preparar um forte aperto de cinto ao povo português”.
Mas onde é que este indivíduo viveu nos últimos anos? Saberá ele que Portugal está em situação de pré-bancarrota e que o governo cessante assinou um documento com a troika, na tentativa de salvar este país da falência?
Heloísa Apolónia, d’Os Verdes afirma que há: “Excesso de pessoas ligadas às finanças nalgumas áreas que são fundamentais para garantia dos direitos dos cidadãos e para a promoção do desenvolvimento do país”.
Não entendo. Uns dizem que há demasiados advogados, outros dizem que há excesso de pessoas ligadas à área financeira. Entendam-se, pá!
Fernando Medina, porta-voz do PS e um dos “boys” de Sócrates diz que “Nota-se a ausência do Ministério da Cultura, que é negativa”.
Pergunto eu, será que a existência de um Ministério da Cultura é fundamental para a recuperação económica de Portugal? Será que não chega uma Secretaria de Estado? Será que se justifica a existência de um Ministério para a Cultura?
Penso que há, nesta afirmação, uma total ausência de bom senso. É a crítica barata de quem acabou de perder o tacho, que se mantinha há seis anos.
Finalmente, de entre muitos outros, vem António José Seguro afirmar que fará “oposição a todas as políticas e medidas que este Governo colocar na Assembleia da República com vista a desmantelar o Estado social”.
Há tipos que não têm vergonha. É estranho que essa sua preocupação com o desmantelamento do Estado Social só agora tenha tomado lugar. É que quando o seu ex-líder de partido e ex-Primeiro-Ministro, andou a atacar o Estado Social, contribuindo decisivamente para a sua destruição progressiva, não vi este senhor a fazer-lhe frente uma única vez, aliás, não vi este senhor a fazer o que quer que fosse em defesa do que quer que seja. Manteve-se sempre muito calado. É a posição mais confortável.
Confesso que a opinião que tenho hoje sobre António José Seguro, não abona muito a seu favor. Penso que se tem pautado por uma passividade excessiva.  Foi totalmente passivo enquanto o país necessitou de muita acção.
De qualquer forma, penso que é necessário deixar o governo exercer as suas funções antes de começarem com as críticas. Os que lá estiveram antes, não conseguiram. Deixem agora que estes tentem.
Se houver alguma crítica a efectuar, que seja por decisões tomadas no exercício das funções e não porque “este não tem experiência”, “aquele é advogado”, “o outro é financeiro”.
Deixem-nos trabalhar, pois muito há a fazer.

“A caminhada das mil léguas começa com um passo”, provérbio chinês.


Viva Portugal

João Pando

 

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