Tenho assistido com bastante interesse, aos debates televisivos entre os líderes dos partidos com assento parlamentar. Infelizmente em Portugal, o programa de governação que cada partido apresenta, é o factor que menos conta para as eleições legislativas. Basta falarmos no dia-a-dia com as pessoas para rapidamente chegarmos à triste conclusão de que são poucos os que sabem quais as propostas de cada partido, que por vezes não sabem quem são os líderes nem tão pouco querem ouvir falar de política. Na minha opinião, não é um bom princípio pois sendo a política que nos dá ou tira tudo (ex. Orçamento de Estado), ao não se estar atento à política, estamos a dar aos seus actores, demasiada liberdade para fazerem o que bem lhes apetece.
Bem, mas como segundo Jan Neruda - “Quem não sabe nada tem de acreditar em tudo”, é muito fácil concluir que muitos portugueses quando vão votar, não saberão certamente o que estarão a fazer. Votam mas não sabem em quê.
Prova disso é a curiosidade natural de quem, ao começar mais um debate político muda o canal de TV para a telenovela e pergunta no dia seguinte “…mas afinal quem ganhou o debate de ontem?”. Consoante a resposta de alguém mais informado, assim será o seu sentido de voto. Até poderá estar a votar em coisas com as quais discorda totalmente mas como fulano de tal ganhou o debate…
Tudo isto é democracia. E da boa!
Estes debates televisivos servem, penso eu, para esclarecer alguns pontos dos programas partidários que por vezes possam parecer confusos ou menos esclarecedores e também para confrontar os governantes anteriores sobre a sua actuação, ao longo do mandato. É claro que os debates influenciam e devem influenciar o voto, uma vez que são instrumentos de informação, de esclarecimento. Ou melhor, deviam ser. No entanto, não devem ser tidos como o único meio de influenciar o voto.
Quanto ao conteúdo dos debates, já estamos habituados a que eles sirvam para os intervenientes trocarem acusações. Principalmente quando intervém o primeiro-ministro demissionário e começa a acusar o PSD, num debate com outro líder político. Uma tremenda falta de respeito. Mas desse senhor, outra coisa não seria de esperar. Aliás, dantes havia o “Cassete Carvalhas”, depois veio o “Cassete Jerónimo” e presentemente estamos na fase do “Cassete Sócrates”. Vitimiza-se dizendo vezes sem conta que os outros provocaram uma crise política, quando foi ele quem se demitiu. Foi ele quem a provocou com a sua governação.
Será que ele alguma vez conseguirá perceber que AS VÍTIMAS SOMOS NÓS, PORTUGUESES, E NÃO ELE? Duvido.
Quanto aos intervenientes, na minha modesta opinião, até agora sobressaíram três. Passos Coelho, Sócrates e Paulo Portas.
Passos Coelho, é um indivíduo pragmático, educado, com postura correcta, com princípios, que sabe o que diz, que não mente e que tem estado muito seguro com as suas afirmações, no interesse de Portugal. Não é um produto de marketing televisivo mas tem estado muito bem.
Paulo Portas, é um indivíduo educado, muito inteligente, com uma postura também muito correcta, estuda muito bem os assuntos antes de falar deles, lutador e que tem sido brilhante nas suas intervenções. Se o CDS/PP é a terceira força política nacional, deve-o essencialmente a ele.
Sócrates, é um produto televisivo, de marketing, pouco inteligente mas “chico-esperto” (a fazer lembrar o sucesso casual e fugaz à Big Brother, obviamente não sustentado por qualquer espécie de talento), desprovido de qualquer conteúdo político mas com muito conteúdo de politiquice, arrogante, cínico, charlatão, teatral, mentiroso.
Apesar de ser um produto mediático, não tem estado tão bem como nos debates das eleições de 2009. Mas nessa altura, a “concorrência” não estava tão bem preparada.
Nem sequer no episódio da pasta vazia, com Paulo Portas, ele conseguiu somar pontos já que foi a jornalista quem respondeu a Sócrates acerca da data de apresentação do programa do CDS/PP: dia 14 de Maio. Penso que aí quem capitalizou foi Portas e a jornalista.
Quanto aos canais de televisão, penso que têm sido completamente parciais para o lado de Sócrates e do PS. Ainda há pouco estive a ver na Sic – Notícias, o comentário ao debate entre Sócrates e Jerónimo de Sousa. Pois o tempo em que as mensagens de rodapé, com afirmações de Sócrates, permaneceram estáticas no ecrã foi bem superior ao tempo das mensagens de Jerónimo de Sousa. Estas pequenas coisas também contam. E não é pouco!
De qualquer forma, multiplicam-se as sondagens para dizer aos portugueses quem está melhor posicionado para vencer. Mas aqui ressaltam, de imediato, algumas questões com que cada um se deve interrogar.
Quem efectua as sondagens?
Qual a sua tendência política?
Onde foi seleccionada a amostra?
Qual a percentagem de respostas?
Os resultados terão sido inventados?
Etc…
É sabido por todos que as sondagens são perfeitamente manipuladas por quem as faz. Eu prefiro esperar pela contagem dos votos. Aí sim, será definitivo.
Mas quero alertar os leitores para a seguinte questão:
caso o PS ganhe estas eleições (o que não acredito, de todo, a não ser que os portugueses gostem de ser pobres e viver na miséria), quanto tempo durará o seu governo, uma vez que os restantes partidos com assento parlamentar recusam-se a formar coligações governamentais com o PS? Há que ter este aspecto em consideração. Quanto a mim, é uma questão muito séria. Será que daqui a 6 meses vamos novamente a eleições? Ganhamos alguma coisa com isso? Essa situação não seria nada boa, com toda a certeza.
Mas existem ainda outras questões. Por exemplo, é vulgar queixarmo-nos de que os governantes são corruptos, mentirosos, que são uns incompetentes, que deviam estar presos, etc.. Mas quando nós temos a oportunidade de colocar essa gente fora das lides da governação (já não digo atrás das grades, que era onde Sócrates deveria estar), há sempre pessoas que colocam outros valores à frente do interesse público e da sua pátria e lá vão votar nessa gente sem princípios. Penso que essas pessoas deviam ser co-responsabilizadas também, em caso de má gestão da coisa pública, tal como aconteceu com Sócrates.
Foi tal a má gestão de Sócrates e do seu governo PS, que em somente 6 anos conseguiu condenar toda uma geração e hipotecar o futuro de várias que hão-de vir.
É que alguém tem de pagar a dívida externa. É um país mais que endividado que deixamos de herança aos nossos filhos. Não esperem agradecimento da sua parte.
Para terminar, por hoje, quero falar de um assunto que me preocupa bastante. Tem a ver com EMIGRAÇÃO.
Na passada 5ª feira, mais um dos meus amigos emigrou para um outro país europeu. Dizia-me ele, no fim-de-semana anterior, que já não conseguia viver em Portugal. Ia emigrar para tentar viver uma vida melhor e poder dar ao filho muito mais do que conseguia no seu próprio país.
Mas que diabo!
Porque será que nós portugueses, acabamos sempre por sair da nossa terra, do nosso país, da nossa pátria, da nossa cultura, das nossas famílias, dos nossos amigos, para ir procurar uma vida melhor noutro lado?
Porque não podemos nós ter isso na nossa terra?
O fenómeno actual da emigração é já superior ao dos anos 60 e 70, mas com uma grande diferença:
Agora quem parte é mão-de-obra especializada.
Viva Portugal (…sem Sócrates)
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