quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Uma Aventura na Assembleia Municipal, em Torres Novas.

No dia 27 de Setembro, há precisamente um mês atrás, realizou-se uma Assembleia Municipal nos Paços do Concelho.
Eu lá estive presente, não só com a intenção de fazer uma intervenção no período destinado ao público mas também para observar o comportamento das dinâmicas de poder que aí se desenvolvem.
A julgar por relatos sobre assembleias anteriores, nestas reuniões não é habitual haver público e muito menos com a intenção de intervir. E aquilo que à partida poderia parecer um normal acto público, foi afinal uma grande lição de democracia, como poderão constatar.
Logo no período antes da Ordem do Dia, conseguimos detectar uma situação que me parece algo estranha em democracia. Existe um computador com um monitor virado para os deputados municipais, o qual controla o tempo das intervenções efectuadas. Até aqui tudo bem. Mas a questão é que os tempos totais de intervenção foram definidos em função das últimas eleições autárquicas. Como o PS tem maioria absoluta, fica obviamente com a maior fatia para intervir.
Ora vejamos então como está distribuído, segundo o Regimento da Assembleia, aprovado em 2006, o tempo pelos grupos partidários e independentes, para o período “Antes da Ordem do Dia” (em minutos):
  • PS                              18
  • PSD                             9
  • CDU                            9
  • BE                               3
  • Independentes        3
Para saberem como é no período da “Ordem do Dia”, é só consultar o Regimento da Assembleia Municipal que está no site da câmara municipal.
Como se pode verificar com este exemplo, o nível de democracia praticado pelo Presidente da Câmara António Rodrigues e respectiva Assembleia Municipal é bastante elevado neste Concelho. Mas a coisa não fica por aqui.
No decorrer da Assembleia e apesar de haver uma ou outra intervenção mais incisiva mas deveras pouco preocupante para o Presidente do Executivo, houve efectivamente uma intervenção que me encheu as medidas. E essa teve a assinatura do Presidente da Junta de Freguesia da Meia-Via. Foi de tal forma que o Presidente da Câmara não conseguiu sequer responder a nada do que foi acusado. E garanto-vos que não foram poucas as acusações. Inclusive foi-lhe dito que a continuar assim, a Freguesia da Meia-Via mudava para o Concelho do Entroncamento. Ora para um Presidente de Junta chegar a este ponto, imaginem só como se sentirá defraudado e abandonado pelo executivo da câmara.
Penso eu que quem pretende exercer um cargo político, tem de saber ouvir críticas. António Rodrigues não está decididamente para aí virado. Não só não as aceita como reage muito mal à situação, não respondendo a nada e irritando-se. Mais uma vez se verifica o elevado nível de democracia do Presidente da Câmara.
Mas a sessão continuou e quando tudo parecia que iria terminar pacificamente, eis que é dada a palavra ao Público. A única pessoa que lá estava para falar era eu. E assim foi. O Presidente da Mesa concedeu-me a palavra. Saliento que cada intervenção do Público tem a duração máxima de 5 minutos, num total de 30 minutos para o conjunto dessas intervenções. Portanto, só me foi concedido um período de 5 minutos, apesar de ser a única pessoa que iria falar.
Tendo-se ausentado momentaneamente da sala, solicitei, à Mesa, a presença do Presidente da Câmara. Foi então que o comecei a confrontar com algumas questões que até esse dia, não tinha ainda encontrado resposta satisfatória. Assim, decidi perguntar a quem sabe as respostas.
As questões legítimas que coloquei foram as seguintes:
·         Se existe uma rubrica Agenda do Presidente no site da câmara, onde deve ser colocada toda a actividade do Presidente, porque raio só muito raramente aparecem lá referências? Porque não aparecem as reuniões a que vai? Será que afinal não há reuniões e ele anda a trabalhar assim tão pouco, em prol dos torrejanos? A julgar pela informação disponibilizada na agenda do site da câmara, parece que sim. É só confirmarem no site. É que no ano de 2009, em 365 dias, apareceram 18 referências (17 reuniões e uma inauguração). O conceito de Agenda diz: suporte escrito destinado à anotação de compromissos diários e de outra informação.
É assim mais fácil saber o que faz o Presidente da República ou o Presidente da Assembleia da República que o Presidente da Câmara de Torres Novas? As suas agendas estão na internet, são de conhecimento público, são transparentes, claras, esclarecedoras, com informação horária e identificação dos eventos onde estarão presentes.
Estará o Presidente da Câmara de Torres Novas acima das referidas individualidades? Pois não sei…mas penso que não.
O Presidente da Câmara não respondeu

·         Questionei-o também sobre a utilização do veículo da Câmara Municipal de Torres Novas, que o Presidente da Câmara utiliza como carro de serviço (BMW).
Onde fica esse veículo de cada vez que o Presidente da Câmara vai de férias?
Ou quando se ausenta do país?
Enquanto frequentou a licenciatura, quando ia às aulas, efectuar exames e outros, fez-se transportar no seu carro particular ou no carro de serviço da CMTN?
E, tal como ele disse no site de campanha para as autárquicas, frequenta um mestrado. Como vai para as aulas, no veículo de serviço da Câmara Municipal de Torres Novas?
Não terão os torrejanos direito às respostas a estas questões?
O Presidente da Câmara não respondeu

·         Confrontei-o com as suas frequentes idas a Timor e a Cabo Verde, a ida ao Canadá, Roménia e Rambouillet e com o que os torrejanos ganharam com isso, até hoje?
O que irão os torrejanos ganhar no futuro com essas relações internacionais?
Existem relatórios públicos, de cada vez que ele lá foi, com as respectivas comitivas ou não e sobre o trabalho que se foi lá fazer?
Penso que nos casos em que acontecem visitas a cidades estrangeiras, deve existir sempre um propósito bem explícito e legítimo. No final de cada visita, deve ser elaborado um relatório sobre actividades, contactos estabelecidos, decisões e outros, a ser fornecido pelo menos à Assembleia Municipal, para que se conheça o trabalho desenvolvido em prol do Concelho de Torres Novas.
No caso em que existem já relações bilaterais, é suposto haver fluxos nos dois sentidos e não unicamente de cá para lá. E não invalida a elaboração também dos respectivos relatórios.
É importante que os torrejanos saibam o que têm a ganhar e a perder com as visitas ao estrangeiro do Presidente da Câmara e respectivas comitivas. Afinal se pagamos as viagens ou grande parte delas como contribuintes do Estado, temos todo o direito de saber o que se passa. Temos direito à informação (está na Constituição da República Portuguesa).
Quantos empresários desses países já vieram investir no Concelho de Torres Novas?
O Presidente da Câmara não respondeu

·         Na Assembleia Municipal de 26 de Fevereiro de 2007, o PSD apresentou uma proposta para a criação do Conselho Municipal de Desporto ao que um deputado municipal do PS respondeu que já estava previsto em orçamento de 2007, a criação do Conselho Municipal de Juventude e que bastaria acrescentar o factor Desporto (Acta nº 1/2007). Como se da mesma coisa se tratasse. Questionei o Presidente da Câmara no seguinte:
Uma vez que já decorreram três anos e meio desde a assembleia em que isso foi falado, o que foi feito até agora no sentido de criar esse Conselho Municipal?
Se nada foi feito, então para quando essa concretização?
O Presidente da Câmara não respondeu
Demonstra bem como têm sido tratados a Juventude e o Desporto neste Concelho.
Pretende-se que o Concelho Municipal da Juventude e Desporto seja um só mas não deixa de ser curioso que esses dois pelouros estão em pessoas diferentes: o Presidente da Câmara tem o Desporto (mais uma vez) e a vereadora da Educação e Cultura, a Juventude.

·         Continuei, questionando o Presidente da Câmara se este verão de 2010 tinha ido à Biblioteca de Riachos. E pelo que me apercebi, não deve ter posto lá os pés pois se lá tivesse ido, certamente tinha verificado que nos dias com temperaturas de 40 graus Célsius, a temperatura dentro da biblioteca é de tal forma elevada que se torna insuportável lá permanecer, quer seja público quer seja funcionário.
Ora como a biblioteca foi inaugurada em Abril de 2008, significa isto que passaram já os verões de 2008, 2009 e 2010 nestas condições.
Não será já tempo de colocar ar condicionado para que as pessoas se sintam confortáveis?
Não será aquele equipamento para as pessoas utilizarem? Ou foi só para ser inaugurado?
Será que as pessoas de Riachos não o merecem?
O Presidente da Câmara não respondeu

No final, à boa maneira de António Rodrigues quando ouve o que não gosta, exaltou-se e ofendeu-me.
Para culminar esta aventura, não me foi concedida a defesa da honra pelo Presidente da Mesa Luís Silva, situação que a Constituição da República Portuguesa prevê mas que o Presidente da Mesa desconhece e que obviamente deveria conhecer. É fundamental conhecer as regras, quando se joga o jogo da política. Mais uma prova do grande sentido democrático que reina neste Concelho.
Aliás, não fui eu quem disse, referindo-se a Torres Novas, que "...o défice democrático não é na Madeira".

Não deixa também de ser caricato que antes de terminar a minha intervenção, já o Presidente da Câmara dizia para o Presidente da Mesa “…acaba lá com isto…acaba lá com isto…”, em tom semi-exaltado. Eu confesso que fiquei na dúvida quanto ao seguinte: afinal quem manda na Assembleia Municipal é o Presidente da Mesa ou o Presidente do Executivo?

Podemos verificar mais uma vez, um grande sentido democrático dos órgãos de soberania do Concelho.

E assim terminou esta aventura. Não é um conto de fadas mas parece pertença do imaginário.
E o 25 de Abril só foi há 36 anos.

Bem hajam.

João Pando

9 comentários:

  1. Realmente começo a concordar com o aparecimento de um "Salazar Democrático". Já ninguém tem respeito por quem é "responsável". Este deputado do Partido Socialista foi votado por parte dos habitantes do concelho por crenças e desejos, e nem uma nem outra está de momento concretizada. Malcriado, rude, e frio!? Desde quando é que um presidente de um concelho formado por 17 freguesias e habitado por cerca de 37000 habitantes (aprox.) pode apresentar estas características? Se alguém que deve ser exemplo é o senhor António Rodrigues! Ao negar explicações a perguntas feitas ao mesmo sobre questôes referentes ao concelho está a desrespeitar o que lhe é e foi prometido. É derespeitar uma nação, tenha ela grande ou pouca densidade populacional, não deixa de ser! E se o senhor António Rodrigues não deseja ser presidente, demita-se! Existem muitos políticos dedicados a esta arte (sim porque "Políticar" é uma arte, ou nasce-se com amor à política, ou trabalha-se para aprender a "políticar" ou permanece-se quieto). Procure um outro cargo, público ou privado que tenha vocação, não aquele que lhe garante um salário superior.

    Esta é a posição defendida por um estudante com 14 anos, habitante do concelho em causa e com sincero amor e respeito à política!

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  2. Olá amigo.
    Parabéns por abrir mais um espaço de debate e reflexão acerca de um concelho que todos gostamos (e onde nasci). Continua, porque vais no bom caminho.
    LUIS ARRAIS

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  3. Boa Tarde
    Parece-me que é, que cada vez mais, necessário que se reflicta sobre situações como estas. Obrigado João.

    Abraço

    Rui Almas

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  4. Apesar de não morar no concelho de Torres Novas, nem ter afinidade nenhuma, preocupa-me o sentido democrático e conceito de serviço que estes pequenos (muito pequenos mesmo) senhores feudais têm. Tão logo têm um pouco de poder e algum orçamento (pago pelo contribuinte), para gastar (diria mais desbaratar), portam-se como umas baratas tontas e assumem-se como uns hitlerzinhos de trazer por casa, um pouco à semelhança do chefe em S. Bento.
    Já viram que neste país, podem fazer tudo impunemente (a justiça é nestes casos, mesmo, cega, surda e muda) e sabem que quando sairem do poleiro, serão alavancados para posições superiores, para que na sua desilusão de não terem sido eleitos pelo povo que lá os colocou e tirou, não venham a morder o dono....
    Parabéns pois, pela coragem de vires aqui denunciar algumas situações, mas.como sabes, é chover no molhado.
    Isto só lá vai com políticos sérios e políticas a sério, (e há tão poucos) e estão a maioria dos concelhos, como o país, à beira do abismo.
    O pior é que o receio que tenho, é que o passo em frente já foi dado!
    Um abraço e continua a denunciar situaçãoes de que tenhas conhecimento, mesmo sabendo-se que não dá nada, mas para informação dos portugueses.

    Um abraço

    Victor Hilário

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  5. Querido João,
    obrigada pela partilha, porque de outra forma ninguém teria a cortesia de informar os habitantes do concelho sobre o que se vai passando nele. Infelizmente, o que se passa, actualmente, no nosso país não é mais que um reflexo do que se passa em concelhos como este... Onde o conceito de politica me desilude e me faz repugnar qualquer ligação a ela. Lamento verificar que afinal nao passamos de meros habitantes sem direito a opinar ou questionar o que quer que seja... Neste caso já entendo o porquê dos 5minutos por pessoa. Será que existe caixinha de sugestões? Assim preenchemos o papelito e não falamos...

    Beijinho
    Filipa Rodrigues

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  6. Só para te dizer que passei aqui e li. Como é que conseduiste debitar tanta pergunta em apenas 5 m? Não me vou pronunciar sobre algumas das acusações feitas. Pelo que te conheço não são feitas à toa. Apesar de se notar uma tendência claramente ideológica, o que é legítimo.
    João, desde a Assembleia da República até às assembleias de freguesia, na maior parte dos casos, estão previstos tempos de intervenção encontrados pela proporção da representatividade. João, a intervenção do público também está regulamentada e a defesa da honra só é devida aos deputados e ao executivo.
    E há quem regulamente que a intervenção do público só pode reportar a assuntos tratados na ordem do dia. Isto está legislado. Já agora, deduzo que te tenhas reportado sempre ao presidente da mesa? É que pata falares para o presidente da câmara isso é feito em sessão própria pública.
    Um abraço
    FRancisco Velez

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  7. Caro amigo Francisco Velez, em primeiro lugar obrigado pelo teu comentário. Desculpa-me o atrevimento mas penso que em parte nenhuma da minha intervenção consegues vislumbrar qualquer ponta de tendência ideológica. Se não soubesses as minhas afinidades políticas, será que conseguirias saber se pertenço a algum partido e qual? Não me parece. Trata-se de questões legítimas, apresentadas por um cidadão, munícipe deste conselho e que pretende ser esclarecido, coisa que não aconteceu. Relativamente aos tempos de intervenção, aconselho-te a ler o Regimento da Assembleia da República. De qualquer forma, o que questiono é o princípio subjacente a esta regra. Entendo que nada tem a ver com a democracia.
    Quanto à questão da defesa da honra, o princípio aqui exposto é o direito de resposta e isso está configurado na Constituição da República Portuguesa. Tal como o direito que os cidadãos têm a ser esclarecidos nas suas dúvidas, o que não aconteceu. Desculpa mais uma vez o atrevimento mas parece-me no mínimo ridículo, numa sessão ordinária de assembleia, o Público só poder intervir para falar de assuntos da Ordem do Dia. Na minha perspectiva, isso não só não tem qualquer cabimento como ainda me parece completamente anti-democrático.
    Numa assembleia, como muito bem sabes, todas as questões são colocadas ao Presidente da Mesa, o qual dará a palavra ao Presidente do Executivo para eventuais esclarecimentos. Na maior parte dos casos, quando se questiona o Presidente da Mesa, na realidade estamos a questionar o Presidente do Executivo.
    Espero que este meu esclarecimento tenha satisfeito as tuas dúvidas. Mas isso também nós podemos discutir um destes dias, sentados à mesa, num qualquer restaurante.

    Um grande abraço
    João Pando

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  8. Olá João,

    Realmente haja alguém com capacidades para enfrentar situações pouco claras, e denunciá-las.
    Há muito pouca honestidade e acima de tudo, muita sede de poder. Que mesquinhez!!!!
    E temos tanto que crescer.....! Boa João!
    Estou contigo...!!!

    Bjinho

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  9. pedro neves disse esse senhor presidente faz o que quer nao passa cavaco a nimguem nao respeita ninguem , o unico presidente da junta que os tem no sitio e o ze gil da meia via nessa assembleia ouvis te mais algum presidente abrir a boca , decertesa que nao, tem todos medo do papao e todos sabemos como e que estao as nossas freguesias, e sao todas iguais eu ate ajo que so la vao pagar receber a dizima uma vergonha e deputados muncipais sao iguais nada dizem vao la para o mesmo guito

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